Portugal entre os piores da Europa em atrasos de voos em 2026

Um recente estudo da AirAdvisor revelou que Portugal ocupa a quarta posição entre os países europeus com mais atrasos de voos em 2026. A análise abrangeu 18 aeroportos do continente, destacando o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, que registou uma taxa alarmante de 6,74% de voos com atrasos superiores a 60 minutos. Este desempenho coloca Lisboa atrás apenas de Londres Heathrow, Frankfurt e Milão Malpensa. A média de atraso em Lisboa foi de 88 minutos, uma subida significativa em relação aos 3,34% de atrasos registados em 2025.

O aeroporto do Porto também não ficou atrás, apresentando uma taxa de atrasos de 4,25% em 2026, comparado com 3,68% no ano anterior. O Porto registou o tempo médio de espera mais elevado do país, com 102 minutos por voo afetado. Esta situação é preocupante, especialmente para os viajantes que dependem destas ligações.

Os aeroportos ingleses continuam a liderar o ranking de atrasos. Londres Heathrow, por exemplo, teve 6,26% de atrasos e um tempo médio de espera de 126 minutos. Madrid Barajas e Barcelona El Prat também se destacaram, com taxas de atrasos de 6,29% e 5,25%, respetivamente. A situação em Alicante-Elche e Palma de Maiorca também piorou drasticamente, com aumentos significativos nas taxas de atrasos.

As rotas mais afetadas a partir de Lisboa incluem Barcelona, com 15,6% de atrasos severos, e a ponte aérea para o Porto, com 10,8%. A ligação entre Lisboa e Ponta Delgada também se destacou, com uma taxa de 16,6% de atrasos. Do Porto, as partidas mais problemáticas foram para Barcelona e Madrid, com taxas de 7,9% e 3,6%, respetivamente.

Anton Radchenko, CEO da AirAdvisor, descreve Lisboa como um “estrangulador sistémico” da rede europeia, uma vez que várias capitais europeias têm as suas ligações para o aeroporto de Lisboa entre as mais problemáticas. O agravamento da situação é atribuído ao aumento dos custos do combustível de aviação, que quase duplicaram desde o início de 2026, pressionando as companhias aéreas.

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A IATA prevê que as companhias aéreas gastem cerca de 282 mil milhões de dólares em combustível este ano, um valor dez vezes superior ao lucro líquido total do setor em 2023. Este aumento de custos levou várias transportadoras de baixo custo a reduzir frequências em rotas menos rentáveis.

No que diz respeito aos cancelamentos, Lisboa ocupa a 15.ª posição na lista, com uma taxa de 0,64% em mais de 66 mil voos, ligeiramente acima dos 0,55% de 2025. O Porto, por sua vez, apresenta uma taxa de cancelamentos de 0,90%, subindo de 0,28% no ano anterior. Os melhores desempenhos foram observados em aeroportos nórdicos e da Europa Central.

A Comissão Europeia esclareceu que a volatilidade dos preços do combustível é um risco comercial normal, garantindo aos passageiros o direito a indemnizações até 600 euros, reembolso e assistência obrigatória. Anton Radchenko sublinha que “comercialmente inconveniente não é o mesmo que extraordinário”, reforçando a importância de os viajantes estarem informados sobre os seus direitos.

A AirAdvisor recomenda que os passageiros verifiquem a elegibilidade para indemnizações, solicitem assistência no aeroporto e guardem todos os documentos e recibos. Em tempos de incerteza, é fundamental estar preparado. Leia também: “Como reclamar indemnizações por atrasos de voos”.

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Fonte: Sapo

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