Longevidade em Portugal: desafios e soluções para a dependência

O aumento da esperança média de vida é uma das maiores conquistas da sociedade moderna, mas também apresenta desafios que Portugal ainda não está a enfrentar de forma adequada. Gabriel Bernardino, presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), e José Galamba de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), alertam para a necessidade de ação urgente no debate “Longevidade: Uma Conversa com Futuro”, que encerrou o XX Encontro Internacional de Resseguros.

Os dados são alarmantes: até 2060, Portugal poderá ter 1,6 milhões de pessoas com mais de 80 anos, das quais cerca de 500 mil estarão em situação de dependência profunda. Gabriel Bernardino questionou: “O que vamos fazer com estes anos que vivemos a mais?”, referindo-se à esperança de vida que atualmente ultrapassa os 82 anos para a população em geral e os 85 anos para quem tem 65 anos.

A transição da terceira para a quarta idade, que abrange pessoas com mais de 80 anos, exige uma reflexão sobre o impacto nos sistemas de pensões, saúde e dependência. Bernardino destacou que cerca de metade das pessoas com mais de 80 anos na União Europeia apresenta algum grau de dependência, e entre 20% a 30% enfrenta situações de dependência profunda. “O que está a sociedade preparada para fazer com 500 mil pessoas em dependência profunda?”, questionou.

José Galamba sublinhou que as respostas atuais são insuficientes, especialmente na assistência e cuidados de longa duração. Embora exista uma rede de apoio informal, esta está a diminuir, enquanto a solidão, especialmente nas grandes cidades, se torna um problema crescente. “A dependência é um problema nacional que ainda não foi plenamente interiorizado”, afirmou Galamba.

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Ambos os líderes concordam que o tema da longevidade deve ser abordado desde o nascimento. A vida ativa e a reforma estão a tornar-se mais interligadas, e as necessidades financeiras das pessoas evoluem ao longo do tempo. “Os produtos financeiros e seguradores têm de acompanhar essa evolução”, defendeu Galamba.

Bernardino criticou a falta de atenção política à longevidade e à dependência, afirmando que estas questões deveriam estar no topo da agenda política. “Isto não é um problema de amanhã, é um problema de hoje”, frisou. Ele defendeu que o Estado deve manter um papel central, mas que é necessário reforçar modelos de complementaridade, como os que existem em países como a Alemanha, onde o seguro de dependência está integrado no sistema social.

A discussão sobre a longevidade não se limita apenas aos últimos anos de vida. É essencial que a sociedade se prepare para as mudanças demográficas e que os cidadãos compreendam a sua responsabilidade na preparação para a reforma e proteção futura. “As pessoas precisam de perceber que têm de se preparar para a sua proteção”, concluiu Bernardino.

Leia também: O impacto da longevidade nas pensões e na saúde em Portugal.

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Fonte: ECO

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