FMI recomenda reformas fiscais para reduzir dívida pública no Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que o Brasil precisa implementar reformas fiscais mais robustas para garantir que a dívida pública siga uma trajetória “firmemente decrescente”. Apesar da previsão de recuperação económica para este ano, a entidade considera que as medidas já adotadas pelas autoridades brasileiras não são suficientes.

Entre 18 e 29 de maio, uma equipa técnica do FMI esteve no Brasil para avaliar as políticas económicas e as perspectivas do país, reunindo-se com várias autoridades locais. Após cada missão, o FMI divulga um comunicado com as suas “constatações preliminares” e elabora um relatório técnico que será submetido à aprovação da Direção Executiva.

Os dados mais recentes do governo brasileiro indicam que a dívida pública atingiu 80,06% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril, o que equivale a 10,44 biliões de reais (aproximadamente 1,78 biliões de euros). Para o FMI, é crucial que o Brasil poupe receitas extraordinárias provenientes do petróleo e avance com reformas que abordem a rigidez dos gastos e minimizem as reduções fiscais. Essas ações não só fortaleceriam a sustentabilidade da dívida pública, como também ajudariam a reduzir os custos associados à mesma, criando espaço para investimentos prioritários.

O FMI sublinhou que a combinação de poupança de receitas extraordinárias e políticas temporárias de alívio aos efeitos de choques externos poderia reforçar a sustentabilidade da dívida pública. A instituição destacou que a economia brasileira tem demonstrado uma “notável resiliência” face a vários choques, incluindo os impactos da guerra no Médio Oriente sobre os preços globais da energia. De acordo com o FMI, o Brasil está relativamente protegido do aumento do preço do petróleo, dado que é um exportador líquido e possui uma matriz elétrica baseada em fontes renováveis.

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No entanto, a entidade notou que o crescimento económico do Brasil desacelerou em 2025, em parte devido à política monetária restritiva e à diminuição do impulso fiscal, fatores que também contribuíram para a desaceleração da inflação. Os técnicos do FMI indicaram que os indicadores recentes sugerem uma retoma da atividade económica no início de 2026, prevendo que o crescimento brasileiro se fortaleça gradualmente, alcançando cerca de 2,5% no médio prazo.

Embora a inflação tenha recuado no início deste ano, o FMI observou um aumento recente devido à subida dos preços globais da energia. As projeções da instituição indicam que a inflação poderá subir no curto prazo, antes de convergir para a meta oficial de 3% até meados de 2028. O FMI considerou apropriada a recente redução das taxas de juros pelo Banco Central do Brasil, mas aconselhou a manter flexibilidade quanto ao ritmo e ao momento dos próximos passos na política monetária, dada a elevada incerteza relacionada com a guerra no Oriente Médio e as novas pressões inflacionárias.

Leia também: O impacto das políticas monetárias na economia brasileira.

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Fonte: Sapo

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