Lucros da aviação em 2026 poderão cair para metade, alerta IATA

As companhias aéreas enfrentam um cenário desafiador, com a previsão de que os lucros em 2026 possam cair para metade em comparação com o ano anterior. A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) revelou que, apesar do aumento no número de passageiros, a guerra no Médio Oriente e o aumento dos preços dos combustíveis estão a afetar significativamente a rentabilidade do setor.

De acordo com a IATA, os lucros líquidos das companhias aéreas deverão recuar de 45 mil milhões de dólares em 2025 para 23 mil milhões de dólares em 2026. A margem de lucro, que era de 4,2% em 2025, deverá descer para 2% este ano. Este declínio ocorre mesmo com um aumento esperado de 9,4% nas receitas totais da indústria, que devem atingir 1,17 biliões de dólares.

O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, destacou que as disrupções causadas pela guerra no Médio Oriente, juntamente com a subida de 70% no custo do combustível para aviões, têm um impacto direto nos lucros da aviação. Embora algumas companhias estejam a tentar compensar estes custos através de ajustes de preços e melhorias de eficiência, isso não será suficiente para manter a rentabilidade ao nível do ano anterior.

As previsões da IATA também indicam que os resultados financeiros variam conforme a região. As companhias aéreas no Médio Oriente estão a enfrentar dificuldades, com a procura a cair e as operações a serem afetadas por disrupções. Em contrapartida, outras regiões ainda apresentam resultados positivos, mas os lucros estão abaixo das expectativas iniciais.

Walsh alertou que as transportadoras do Golfo Pérsico estão a lidar com incertezas operacionais, especialmente após o encerramento do espaço aéreo no início da guerra. O lucro por passageiro deverá cair de 9,10 dólares em 2025 para 4,50 dólares em 2026, o que poderá ser ainda mais afetado por novos custos ou impostos.

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A receita proveniente da venda de bilhetes para passageiros deverá crescer 9,2%, atingindo 839 mil milhões de dólares, enquanto o transporte de carga deverá gerar 162 mil milhões de dólares, um aumento de 7,2%. Contudo, os custos com combustíveis continuam a ser uma preocupação, com o preço do barril de Brent estimado em 95 dólares e o jet fuel a 152 dólares, refletindo subidas significativas.

Além disso, os custos gerais estão projetados para aumentar 4%, totalizando 737 mil milhões de dólares, impulsionados por um aumento de 4% nos custos com pessoal. O número de funcionários deverá crescer 1%, atingindo 3,33 milhões.

Entre os riscos identificados, destacam-se os desafios na cadeia de abastecimento, as eleições, o risco de estagflação e as limitações nas infraestruturas. Um inquérito realizado pela IATA a 6.500 consumidores revelou que 97% dos entrevistados estavam satisfeitos com a sua última viagem, reforçando a importância da aviação na vida das pessoas.

Walsh defendeu que voar não é um luxo, mas sim um serviço essencial e um motor económico. Criticou ainda a proposta do Brasil de aplicar um IVA de 26,5% sobre os bilhetes de aviação, alertando que tal medida poderia resultar na perda de até 3,6 milhões de voos internacionais.

Por fim, o diretor-geral da IATA apelou a uma reforma das regras da Comissão Europeia sobre os Direitos dos Passageiros Aéreos, argumentando que isso beneficiaria tanto os passageiros como as companhias aéreas.

Leia também: O impacto da guerra no Médio Oriente na economia global.

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Fonte: Sapo

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