Petróleo: Impacto de preços elevados e cenários futuros

Hugh Gimber, da JPMorgan, expressou a sua confiança na resolução do conflito no Médio Oriente, embora reconheça que o mercado pode ter subestimado o impacto económico da guerra. Em entrevista ao ECO, Gimber destacou que, para a economia, a maior preocupação não é uma subida temporária dos preços do petróleo, mas sim a manutenção de preços elevados a longo prazo.

“Se os preços do petróleo subirem para 120 dólares na próxima semana e tivermos uma resolução, a trajetória da inflação será muito diferente do que se os preços se mantiverem nos 100 dólares até ao final do ano”, afirmou. Ele considera que o cenário mais desafiador para o crescimento económico seria a persistência de preços elevados do petróleo, em vez de um aumento temporário para 150 ou 200 dólares.

No que diz respeito ao mercado acionista, Gimber referiu que os ganhos estão a ser impulsionados pelos setores da tecnologia e da energia. “O setor tecnológico está a ter um desempenho independente da economia global”, disse, sublinhando que as grandes empresas tecnológicas dos EUA estão a aumentar os seus planos de investimento, o que tem contribuído para o crescimento das bolsas, que continuam a negociar em máximos, mesmo em meio ao conflito no Irão.

No entanto, Gimber alertou que, à medida que o conflito se prolonga, as perspetivas para o crescimento e a inflação tornam-se mais preocupantes. “Os mercados estão a operar na expectativa de que haverá uma resolução. Quanto pior forem as perspetivas para o crescimento, maior será a pressão inflacionista”, explicou.

Sobre a possibilidade de estagflação, Gimber reconheceu que este é um risco, mas destacou que a economia ainda está a crescer, embora a um ritmo inferior ao esperado. “Estamos num ambiente de crescimento positivo, mas com pressões inflacionistas adicionais”, afirmou.

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Os preços do petróleo estão atualmente a rondar os 100 dólares. Gimber acredita que o impacto na economia global não depende apenas do nível dos preços, mas também da duração em que se mantêm elevados. “Se os preços do petróleo se mantiverem acima de 100 dólares durante vários meses, isso pode ser mais problemático do que um aumento repentino”, concluiu.

A posição da JPMorgan em relação aos bancos centrais é que não se esperam subidas agressivas das taxas de juro. Gimber acredita que as políticas monetárias não precisam ser tão agressivas como em 2022, dado que a inflação está mais baixa e as taxas de juro são mais altas. “O BCE pode aumentar as taxas uma ou duas vezes, mas isso é mais para manter a credibilidade do que para impactar significativamente a inflação”, disse.

Por fim, Gimber mostrou-se otimista quanto aos planos de investimento dos governos e empresas, especialmente na Europa. “A história mostra que quando os governos investem, as empresas tendem a seguir o exemplo”, afirmou, destacando a importância de um ambiente favorável para o crescimento.

Leia também: O impacto da inflação na economia global.

preços do petróleo Nota: análise relacionada com preços do petróleo.

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Fonte: ECO

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