Cortes no Orçamento Europeu: Países do Norte Defendem Revisão

Os países do norte da União Europeia, como Alemanha, Países Baixos, Áustria e Dinamarca, manifestaram a sua oposição ao volume financeiro da proposta de orçamento plurianual comunitário que se estende até 2034. Durante uma reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, o chanceler alemão, Friedrich Merz, sublinhou que a proposta atual é excessivamente elevada e precisa de uma revisão urgente.

Merz afirmou que “as receitas e despesas da UE devem ser tidas em conta” e que “as despesas devem estar alinhadas com os rendimentos da União Europeia”. O chanceler reiterou a sua posição contra a assunção de dívida adicional por parte da União, enfatizando a necessidade de um orçamento mais realista e sustentável.

O primeiro-ministro dos Países Baixos, Rob Jetten, também criticou a proposta, considerando que a “contribuição financeira neerlandesa é atualmente inaceitavelmente elevada”. Jetten argumentou que a proposta da presidência cipriota reduz os fundos destinados à inovação e investigação, mantendo, por outro lado, verbas para políticas ultrapassadas. “Precisamos de um novo orçamento, não de um orçamento dos anos 90”, destacou.

A Áustria, através do chanceler Christian Stocker, expressou preocupações semelhantes, afirmando que “a proposta atual é insuficiente porque o volume é demasiado elevado”. Stocker defendeu que mais dinheiro não necessariamente fortalece a Europa e que é crucial otimizar os recursos disponíveis.

Além destes países, a Dinamarca e a Suécia, que fazem parte do grupo dos chamados “países frugais”, também se mostraram a favor de um orçamento mais limitado, com menos contribuições nacionais. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, pediu uma reforma profunda do orçamento comunitário, argumentando que os valores apresentados não refletem a nova realidade geopolítica. Frederiksen defendeu uma maior alocação de recursos para segurança e defesa, em detrimento dos fundos agrícolas.

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Por outro lado, Portugal e 15 outros Estados-membros da UE, que beneficiam da política de coesão, manifestaram-se contra cortes orçamentais. Os chamados “Amigos da Coesão”, que incluem países como Espanha, Itália e Polónia, defendem a preservação das verbas tradicionais, considerando-as essenciais para a convergência económica e social na União.

A divisão no debate orçamental europeu evidencia um confronto entre os países do norte, que desejam limitar o orçamento, e os países do sul e leste, que buscam manter os instrumentos redistributivos da UE. As negociações para o próximo orçamento europeu, que os líderes esperam concluir até ao final do ano, prometem ser desafiadoras, com muitos Estados-Membros a reconhecerem a complexidade de alcançar um compromisso.

Leia também: Portugal e 15 países da coesão rejeitam cortes orçamentais.

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Fonte: ECO

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