As insolvências globais aumentaram 12% desde o início de 2023, refletindo uma deterioração do ambiente empresarial. Segundo um relatório da Coface, a América do Norte destaca-se como a região mais afetada, com um aumento de 22% nas insolvências. Este cenário é impulsionado por tensões geopolíticas, incluindo o conflito no Médio Oriente, que têm elevado os custos de fornecimento e gerado incerteza nas decisões de investimento.
Com base nesta realidade, a Coface ajustou as suas previsões, prevendo agora um crescimento de 6% nas insolvências, um valor que supera em mais do dobro as estimativas iniciais. Os Estados Unidos, França e Japão estão entre os países que deverão enfrentar os maiores aumentos, com taxas de 8%, 8% e 7%, respetivamente. Já na Alemanha e nos Países Baixos, as subidas devem rondar os 5%. Em contrapartida, Espanha, Itália e Reino Unido devem observar aumentos mais moderados, entre 2% e 3%.
As taxas de juro elevadas também têm um peso significativo nas insolvências globais, uma vez que mantêm o custo do crédito em níveis altos. Este fator é ainda mais crítico, dado que muitas empresas já enfrentam níveis de endividamento historicamente elevados. Assim, alterações nas condições de financiamento, mesmo que pequenas, podem ter um impacto desproporcionado. Por exemplo, um aumento de apenas 25 pontos base nas taxas de juro pode acelerar os incumprimentos e aproximar os números de insolvência dos níveis previstos para 2025.
Os setores mais vulneráveis a esta situação incluem a construção, a indústria química e o setor têxtil. Nos Estados Unidos, o setor industrial e da construção já está a sentir um aumento significativo nos custos de financiamento e uma diminuição na procura. Na Alemanha, os altos preços da energia afetam a indústria, enquanto em França, as taxas de juro impactam negativamente o setor da construção.
Esta vulnerabilidade é particularmente acentuada nas pequenas e médias empresas (PME), que frequentemente enfrentam menos diversificação e estão mais expostas a flutuações de tesouraria. A Coface sublinha que, nos últimos anos, as insolvências foram contidas devido a apoios governamentais significativos. Entre 2022 e 2023, o apoio orçamental nas principais economias europeias representou entre 2% a 4% do PIB, mas este valor tem vindo a diminuir.
Além disso, as intervenções recentes são mais direcionadas, o que pode ajudar setores e empresas vulneráveis, mas não oferece a mesma proteção abrangente observada em crises anteriores. Como resultado, a capacidade das políticas públicas para conter o aumento das insolvências globais parece estar a tornar-se mais limitada.
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Fonte: Sapo





