Um recente estudo da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), encomendado pela APCV – Cervejeiros de Portugal, revela que a indústria cervejeira em Portugal é um pilar importante da economia, contribuindo com 7,3 mil milhões de euros e representando 2,5% do PIB. Este estudo foi apresentado durante uma cimeira em Lisboa que reuniu associações cervejeiras de toda a Europa.
A atividade cervejeira assegura cerca de 170.283 postos de trabalho, o que equivale a aproximadamente 3% da população ativa em Portugal. Para cada emprego direto na indústria, são gerados 68 postos de trabalho em outros setores, evidenciando o impacto significativo da cerveja sem álcool e da indústria em geral.
O segmento de cerveja sem álcool destacou-se como o principal motor de crescimento em 2025, com um aumento de 11,45%, muito acima da média dos últimos anos, que se situava entre 6% e 8%. Este segmento contribuiu com mais de 14 mil hectolitros para um crescimento total de 55 mil hectolitros no mercado nacional. Apesar deste crescimento, a penetração da cerveja sem álcool em Portugal é ainda modesta, representando apenas 8% do mercado, em comparação com os 34% de Espanha. Este dado indica que há um grande potencial de crescimento para a cerveja sem álcool em Portugal.
Carlota Burnay, secretária-geral dos Cervejeiros de Portugal, afirma que a evolução da cerveja sem álcool demonstra a capacidade do setor para inovar e atender às novas expectativas dos consumidores. Esta tendência é fruto de décadas de investimento em tecnologia e qualidade.
Um dos traços distintivos do mercado português é o elevado consumo fora de casa, com cerca de 70% da cerveja a ser consumida em hotéis, restaurantes e cafés (HoReCa). Este valor é o mais alto da Europa e reflete a forte dimensão social da cerveja na cultura portuguesa.
Em um contexto europeu de estagnação, Portugal destacou-se pela resiliência, com uma produção que cresceu 1,73% e vendas que aumentaram 0,88%. Este desempenho positivo é atribuído, em grande parte, ao turismo e à importância do canal HoReCa para o consumo de cerveja.
Rui Lopes Ferreira, presidente dos Cervejeiros de Portugal, sublinha que a indústria cervejeira envolve milhares de empresas e trabalhadores, com um efeito multiplicador significativo na economia. Em 2025, o setor gerou mais de 331 milhões de euros em receitas diretas para o Estado, com um impacto global de cerca de 2,3 mil milhões de euros, considerando impostos diretos e indiretos.
O estudo também revela que cada euro gerado diretamente pela indústria cervejeira resulta em 18,37 euros na economia nacional. Este efeito multiplicador significa que uma contração de 1% na atividade do setor teria um impacto negativo multiplicado por 12 na economia global.
Apesar da sua relevância, a indústria enfrenta desafios fiscais, uma vez que a cerveja está sujeita à taxa máxima de IVA e ao Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA), ao contrário do vinho. Rui Lopes Ferreira defende a necessidade de previsibilidade fiscal, sugerindo um congelamento do IABA para permitir que as empresas planeiem investimentos a longo prazo e continuem a contribuir para a sustentabilidade e inovação do setor.
Atualmente, existem cerca de 100 cervejeiras em Portugal, 95% das quais são pequenas e médias empresas, refletindo um setor dinâmico e em transformação. A cerveja sem álcool, em particular, apresenta um potencial significativo para o futuro da indústria.
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Fonte: Sapo





