Os Certificados de Aforro, uma das opções de poupança mais procuradas pelos portugueses, estão a caminho de atingir o limite máximo de 2,5% de remuneração. Este aumento é impulsionado pela recente subida das taxas de juro no mercado, que tem refletido a evolução da política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
No início do ano, esperava-se que os Certificados de Aforro mantivessem uma taxa em torno de 2% até 2026, mas a realidade mudou. A guerra no Irão e as pressões inflacionistas levaram o BCE a aumentar a taxa de referência em 25 pontos base, o que poderá repetir-se nos próximos meses. Este movimento preventivo visa evitar os erros do passado, quando a inflação disparou sem uma resposta adequada da política monetária.
As taxas Euribor, que influenciam diretamente os produtos de poupança, também estão em ascensão. A Euribor a três meses, por exemplo, ultrapassou os 2,4%, o que sugere uma nova subida na taxa de depósitos do BCE até setembro. Esta tendência é positiva para os aforradores, mas representa um desafio para as famílias com empréstimos.
Em junho, a taxa base dos Certificados de Aforro subiu para 2,215%, e as expectativas para julho apontam para uma nova elevação, possivelmente fixando-se em torno de 2,4%. Este aumento coloca os Certificados de Aforro muito perto do limite máximo de 2,5%, que foi estabelecido pelo Governo em junho de 2023. Este nível é significativo, pois representa o maior retorno desde março de 2025.
Apesar da inflação que tem corroído o poder de compra, o interesse pelos Certificados de Aforro mantém-se elevado. Nos primeiros cinco meses do ano, foram aplicados 2,25 mil milhões de euros, elevando o total para mais de 42 mil milhões de euros. Este fluxo é explicado pela falta de alternativas de baixo risco que ofereçam retornos atrativos.
Embora a rendibilidade dos Certificados de Aforro seja superior à dos depósitos, a inflação continua a impactar negativamente o retorno real. No entanto, os Certificados oferecem prémios de permanência que podem compensar a taxa base reduzida, tornando-os uma opção interessante para investidores de longo prazo.
Os prémios variam de 0,25 a 1,75 pontos percentuais, dependendo do tempo de permanência, o que pode aumentar a atratividade dos Certificados de Aforro em um cenário de inflação elevada e rendimentos baixos.
Leia também: Simulador de Certificados de Aforro: Quanto rende o investimento?
Leia também: A importância de poupar para a reforma: um desafio urgente
Fonte: Doutor Finanças




