A Venezuela enfrenta um novo desafio na sua já fragilizada recuperação económica após um sismo devastador que ocorreu na noite passada. Este desastre natural surge num momento crítico para o país, que, após anos de crise, tentava retomar a sua presença nos mercados internacionais. As infraestruturas públicas, já debilitadas, tornam a situação ainda mais complicada.
Embora os danos ainda não tenham sido totalmente avaliados, as estimativas iniciais apontam para que o custo da reconstrução possa representar uma parte significativa da economia venezuelana. O US Geological Survey divulgou um modelo preliminar que sugere que as perdas económicas poderão ultrapassar os 10 mil milhões de dólares, com uma probabilidade superior a 50% de que o impacto final se situe entre 10 e 100 mil milhões de dólares. Este último valor é quase equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela.
A recuperação económica da Venezuela poderá ser sentida em várias áreas, especialmente nos serviços públicos, que já enfrentam dificuldades. O sistema de saúde, por exemplo, poderá ser severamente sobrecarregado se o número de vítimas for elevado, num contexto em que já se encontrava em crise. O subinvestimento em infraestruturas essenciais, como energia e água, agrava ainda mais a situação.
Vários países, incluindo os Estados Unidos, já se mostraram disponíveis para ajudar na resposta ao desastre e nos esforços de reconstrução. A situação é particularmente preocupante, dado que, em 2025, o PIB da Venezuela foi estimado em cerca de 100 mil milhões de dólares, uma queda acentuada em relação aos 370 mil milhões de dólares de 2012. A década de 90 foi marcada pela instabilidade, mas o crescimento económico voltou a surgir na década seguinte, impulsionado pelo boom do petróleo e pela estabilidade política sob Hugo Chávez.
Contudo, a partir de 2013, a economia começou a enfrentar sérios problemas, incluindo corrupção e falta de investimento, que deixaram o país mal preparado para lidar com a queda dos preços do petróleo. A hiperinflação e as sanções norte-americanas exacerbaram ainda mais a crise, levando a que cerca de oito milhões de pessoas necessitassem de assistência humanitária em 2025.
Nos últimos anos, a Venezuela tentava estabilizar a sua economia, com o governo provisório a trabalhar para reintegrar o país na comunidade económica internacional. O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou recentemente a retoma das relações institucionais com a Venezuela, o que pode facilitar o acesso a financiamento. Além disso, o governo está a preparar uma reestruturação da sua dívida pública, que se estima em cerca de 240 mil milhões de dólares, tornando-se a maior operação do género da história.
O governo de Delcy Rodríguez está a dar passos para acabar com o estatuto de “pária financeiro” da Venezuela, promovendo medidas de privatização e facilitando a entrada de empresas norte-americanas na exploração petrolífera. Contudo, este sismo ameaça atrasar significativamente a recuperação económica do país e o seu regresso à comunidade financeira.
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Fonte: ECO





