O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Armindo Monteiro, afirmou que é essencial retomar a discussão sobre as alterações à lei laboral, mas defendeu que este processo deve ser feito de forma cuidadosa e com um “documento novo de raiz”. As suas declarações foram feitas à agência Lusa durante a iniciativa “O Futuro de Portugal”, promovida pelo Instituto Amaro Da Costa, em Lisboa.
Monteiro sublinhou que, apesar do chumbo da proposta de revisão da legislação laboral, a necessidade de discutir o Código do Trabalho permanece. “O propósito para as alterações propostas continua a ser absolutamente premente”, afirmou, enfatizando que é crucial realizar mudanças que respondam às exigências do mercado de trabalho.
O líder da CIP acredita que os parceiros sociais e o Governo têm agora uma “oportunidade de fazer diferente”. No entanto, ao ser questionado sobre a possibilidade de retomar a discussão na próxima reunião de Concertação Social, Monteiro alertou que “este processo não pode ser precipitado”. Para ele, é fundamental que todos os parceiros sociais estejam de acordo antes de avançar.
Caso a discussão seja reiniciada, a CIP defende que deve partir de um “documento novo de raiz”. Monteiro destacou que a necessidade de alterar as leis laborais não é uma questão de capricho da CIP, mas sim uma resposta às realidades do mercado. “A CIP tem muitas discussões e não quer concentrar toda a sua energia no Código do Trabalho”, acrescentou, referindo também a importância de debater temas como salários e pensões.
Sobre a proposta de lei que foi chumbada na Assembleia da República, Monteiro expressou que, se o Governo tivesse incluído todas as medidas discutidas na Concertação Social, a aprovação poderia ter sido mais provável. Contudo, compreende a estratégia do Governo em optar por um documento que permitisse “margem para negociar”.
O presidente da CIP também comentou a forma como o Governo comunicou as razões para a alteração do Código do Trabalho, reconhecendo que a primeira impressão criada pode ter condicionado as explicações subsequentes. Durante o seu discurso, Monteiro reiterou que a alteração da legislação laboral é uma questão que gera desconforto e que, muitas vezes, os partidos preferem ignorar.
Recentemente, a proposta do Governo para rever a legislação laboral foi chumbada na generalidade, com votos contra do Chega e da esquerda parlamentar. Apenas os partidos que suportam o Governo e a Iniciativa Liberal votaram a favor. Este cenário evidencia a complexidade do debate em torno da lei laboral e a necessidade de um novo enfoque.
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Fonte: Sapo





