A Irlanda vai assumir, a partir de 1 de julho, a presidência rotativa do Conselho da União Europeia (UE), sucedendo Chipre. Durante este período, o país tem como objetivo estabilizar as relações entre a UE e os Estados Unidos, além de trabalhar na finalização do 21.º pacote de sanções à Rússia, previsto para o início de julho.
A representante permanente da Irlanda junto da UE, Aingeal O’Donoghue, destacou em conferência de imprensa em Bruxelas que a Irlanda possui “muitas ligações nos Estados Unidos” e contactos bem posicionados em diversos setores políticos e empresariais. “Acredito que podemos maximizar os nossos canais de comunicação com os Estados Unidos”, afirmou O’Donoghue.
Um dos principais focos da presidência irlandesa será garantir que a UE e os EUA regressem aos termos do acordo comercial assinado em agosto na Escócia. Este acordo foi comprometido por decisões do Supremo Tribunal americano e por várias medidas adotadas pelos EUA. A embaixadora irlandesa sublinhou que o primeiro passo é restaurar uma situação mais estável nas relações comerciais, que é uma prioridade.
A Irlanda pretende ainda desenvolver um trabalho positivo nas relações comerciais, procurando soluções para questões que envolvem a indústria farmacêutica e outros setores, como bebidas espirituosas e vinhos. O’Donoghue acredita que a abordagem deve passar de um confronto para uma que promova benefícios mútuos.
Embora as negociações comerciais sejam da responsabilidade da Comissão Europeia, a diplomata irlandesa acredita que as conversas informais e a partilha de perceções podem facilitar as discussões. Além disso, a Irlanda quer abordar as preocupações dos EUA sobre a política digital da UE, um desafio que a embaixadora reconhece ser “muito mais difícil”.
Em termos de política externa, a Irlanda manterá a postura da UE em relação à guerra na Ucrânia, continuando a apoiar Kiev financeiramente e militarmente, ao mesmo tempo que aumenta a pressão sobre a Rússia. O objetivo é finalizar o 21.º pacote de sanções à Rússia, que foi apresentado pela Comissão Europeia no início de junho, na primeira metade de julho.
Relativamente à adesão da Ucrânia à UE, a Irlanda pretende aproveitar o impulso gerado pela abertura do primeiro capítulo de adesão, ocorrida em 15 de junho, e avançar rapidamente para a abertura dos restantes capítulos, prevendo uma nova reunião interministerial sobre o assunto já em julho.
Por último, a Irlanda partilha a ambição do presidente do Conselho Europeu, António Costa, de concluir as negociações sobre o próximo orçamento comunitário da UE, que abrange o período entre 2028 e 2034, até ao final do ano. Aingeal O’Donoghue reconheceu que os Estados-membros têm visões diferentes sobre o documento, mas destacou a importância de encontrar um equilíbrio adequado.
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Fonte: ECO





