Alta velocidade entre Porto e Gaia gera incertezas para empresas

A construção da linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa está a gerar uma onda de incertezas entre empresários de Vila Nova de Gaia. Francisco Bastos, responsável pela fábrica de pastelaria Arcádia, revela que a instalação da sua unidade em São Caetano foi feita com a garantia da Infraestruturas de Portugal de que a nova linha não afetaria a operação. No entanto, a iminência de expropriações está a provocar ansiedade e receios de prejuízos significativos.

Bastos, que gere uma rede de quase cinquenta lojas em Portugal, admite que, se soubesse da possibilidade de expropriação, teria reconsiderado o investimento. “Arrisco um milhão de euros de prejuízos se falhar os prazos de entrega das encomendas”, afirma Tiago Zenha, CEO da Perfilium Metal Systems, que tem uma linha de produção pronta a instalar, mas que não avança sem certezas sobre a sua localização.

Os empresários da zona industrial de São Caetano e dos Terços, em Canelas, estão a viver sob a ameaça de expropriações desde que o projeto da linha de alta velocidade passou a prever a passagem da linha à superfície, em vez de um túnel, como inicialmente prometido. Esta mudança no traçado do projeto está a causar preocupações sobre o futuro das suas operações e dos postos de trabalho que dependem delas.

A situação é ainda mais alarmante para Vítor Monteiro, que gere uma fábrica de parafusos e enfrenta a possibilidade de expropriação após ter investido 100 mil euros em melhorias na sua unidade. “Não podemos parar a atividade de um dia para o outro”, alerta Monteiro, que tem entregas diárias para o setor automóvel. Ele critica a falta de consideração pelas empresas que estão a ser afetadas e defende que a solução em túnel, inicialmente prevista, deveria ser mantida.

Leia também  Açores adiam nova rede de áreas marinhas protegidas para 2026

Apesar das incertezas, as fábricas continuam a operar, mas a pressão sobre os empresários é palpável. “Não sabemos se investimos ou esperamos”, lamenta Francisco Bastos, referindo-se ao impasse que muitos enfrentam. A falta de clareza sobre o futuro da linha de alta velocidade está a afetar a capacidade de investimento e a confiança dos empresários, que temem por seus negócios e postos de trabalho.

Bento Aires, presidente da Ordem dos Engenheiros da Região Norte, reconhece que expropriações são um preço a pagar pelo desenvolvimento de infraestruturas, mas ressalta que é crucial encontrar soluções que minimizem o impacto nas empresas. A urgência em avançar com o projeto é partilhada pelos empresários, que pedem decisões rápidas para que possam planear o futuro das suas operações.

A situação atual é um reflexo das complexidades envolvidas na construção de uma linha de alta velocidade, onde o desenvolvimento e a preservação dos negócios locais devem ser cuidadosamente equilibrados. Enquanto os empresários aguardam por respostas, a incerteza continua a pairar sobre as suas operações.

Leia também: O impacto da alta velocidade na economia local.

Leia também: NACEX investe em nova plataforma logística no Montijo

Fonte: ECO

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top