A Venezuela enfrenta um impacto económico severo após os duplos terramotos que ocorreram a 24 de julho, resultando numa queda de mais de 4% do seu PIB, o que equivale a cerca de 4,45 mil milhões de dólares. Inicialmente, as estimativas indicavam que as perdas poderiam variar entre 1% e 7% do PIB, mas avaliações mais detalhadas revelaram um impacto mais significativo. Este valor é mais de 20 vezes superior ao fundo de emergência de 200 milhões de dólares que o governo venezuelano mobilizou junto do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O FMI está a monitorizar a situação e mantém contacto com as autoridades venezuelanas para avaliar as necessidades imediatas. Julie Kozack, porta-voz do FMI, afirmou que a instituição não está envolvida na reestruturação da dívida da Venezuela, mas está disponível para ajudar quando necessário. Este acompanhamento surge na sequência de um pedido de revisão da dívida que a Venezuela já estava a preparar antes dos terramotos, que complicaram ainda mais a situação económica do país.
A nova administração, liderada por Delcy Rodríguez, está a preparar um plano para reestruturar a dívida, que ascende a 240 mil milhões de dólares, um valor que ultrapassa 200% do PIB da Venezuela. Esta reestruturação é motivada por uma mudança política significativa e pela necessidade de lidar com as consequências económicas devastadoras dos sismos.
Os analistas alertam que a destruição causada pelos terramotos poderá exigir um perdão de dívida mais agressivo, uma vez que o país precisa de financiamento para a reconstrução. Contudo, o FMI é conhecido por ser reticente em relação a perdões de dívida, o que poderá complicar ainda mais as negociações com os credores internacionais.
A nova liderança da Venezuela tem procurado restabelecer o diálogo com os mercados, após o governo anterior ter sido amplamente ignorado pelos credores ocidentais devido a sanções. A recuperação do controlo sobre fundos e reservas no estrangeiro é crucial para a negociação de garantias de pagamento.
Entre os credores da dívida soberana da Venezuela estão grandes instituições financeiras como Fidelity Investments, Morgan Stanley e Allianz Global Investors, além de fundos especializados em ativos de alto risco. A China e a Rússia também figuram como credores significativos, com dívidas estimadas entre 10 mil e 20 mil milhões de dólares e cerca de 6 mil milhões de dólares, respetivamente.
Os terramotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, resultaram em cerca de 1.500 vítimas mortais e mais de 3.300 feridos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos emitiu um alerta vermelho, indicando que os danos económicos poderão ser dos mais elevados na história recente da Venezuela. As infraestruturas, habitação e serviços públicos sofreram grandes prejuízos, exigindo uma mobilização de recursos a nível nacional e internacional para a recuperação.
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Fonte: Sapo





