A Coreia do Sul está a dar um passo significativo no futuro das finanças digitais ao testar uma moeda digital com a participação de quase 80 mil cidadãos. O projeto, denominado Project Hangang, foi apresentado esta quarta-feira no Fórum anual do Banco Central Europeu (BCE), em Sintra, pelo governador do Banco da Coreia, Hyun Song Shin. Este estudo, intitulado “A unified ledger in practice: lessons from Project Hangang”, documenta a maior experiência real até à data com dinheiro programável.
O sistema desenvolvido permite que depósitos bancários e a moeda emitida pelo banco central funcionem como aplicações digitais, facilitando pagamentos e verificações automáticas. Durante o teste, que decorreu entre abril e junho do ano passado, 12 mil comerciantes participaram em transações diárias utilizando esta nova abordagem. O objetivo é garantir que os pagamentos sejam realizados de forma simultânea e segura, eliminando o risco de incumprimento por parte de qualquer uma das partes envolvidas.
O modelo do Project Hangang combina três elementos que, atualmente, operam de forma separada: o dinheiro depositado pelos cidadãos, a moeda do banco central e outros ativos financeiros. Esta integração permite que um pagamento e a entrega do produto ou serviço aconteçam sem a necessidade de intermediários, tornando o processo mais eficiente. Além disso, a moeda digital garante que um won digital mantém o mesmo valor independentemente do banco que o processa, uma vantagem em relação às stablecoins, que enfrentam limitações de interoperabilidade.
As aplicações práticas deste sistema incluem pagamentos instantâneos e a redução de comissões para comerciantes, além de facilitar a entrega de subsídios estatais de forma mais eficiente. O mecanismo central do sistema, denominado “destruir e reemitir”, assegura que o dinheiro digital é eliminado na conta do pagador e criado na conta do recebedor, com o banco central a garantir a transferência.
O governador Hyun Song Shin destacou que os testes mostraram que os subsídios sociais podem ser distribuídos com regras específicas, evitando fraudes. Por exemplo, câmaras municipais e universidades na Coreia do Sul distribuíram vales digitais que só podem ser utilizados em determinados comerciantes ou produtos, garantindo que os apoios são utilizados conforme previsto.
Com o sucesso da primeira fase, o Banco da Coreia está a avançar para uma segunda etapa do projeto, que já conta com a participação de nove bancos. Esta nova fase inclui testes para o pagamento de despesas do Estado e um limite de um milhão de wons (cerca de 660 euros) por utilizador em lojas selecionadas. O objetivo é expandir a utilização da moeda digital e integrar ainda mais serviços financeiros.
O Banco da Coreia também planeia aplicar este modelo às obrigações do Tesouro, permitindo que a compra de dívida pública seja liquidada de forma mais eficiente. Até 2030, o governo sul-coreano pretende que um quarto dos fundos do Tesouro Nacional seja gerido através deste sistema de moeda digital.
Embora o projeto apresente avanços significativos, os investigadores reconhecem que ainda existem limitações. Por exemplo, a nova plataforma digital e a rede bancária tradicional não comunicam em tempo real, o que indica que ainda há um longo caminho a percorrer até um sistema totalmente unificado.
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moeda digital Nota: análise relacionada com moeda digital.
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Fonte: ECO





