Crescimento da economia portuguesa abaixo de 2% em 2023

O crescimento económico em Portugal para este ano poderá ficar abaixo dos 2%, segundo o alerta do Fórum para a Competitividade. Apesar da estabilização dos preços do petróleo e de uma melhoria nas perspetivas para a segunda metade do ano, o saldo orçamental nulo previsto pelo Governo torna-se cada vez mais difícil de alcançar.

Na nota de conjuntura de junho, divulgada esta sexta-feira, o Fórum aponta para um crescimento “tímido” no segundo trimestre, após a estagnação do primeiro. Este cenário não permite grandes expectativas para o restante do ano, embora tenha sido registada uma melhoria no clima económico e nos indicadores de atividade, sugerindo uma certa estabilização após um primeiro semestre conturbado.

O documento refere que, após as perturbações significativas do primeiro trimestre, que incluíram tempestades e o início de um conflito no Médio Oriente, o segundo trimestre trouxe um otimismo crescente. Este otimismo é visível na descida dos preços dos combustíveis e na melhoria da confiança entre consumidores e empresários.

O Fórum para a Competitividade estima que o PIB tenha avançado entre 0,2% e 0,4% em cadeia no segundo trimestre, o que corresponde a uma variação homóloga entre 1,8% e 2,0%. Para o restante do ano, as perspetivas são mais positivas, embora ainda haja um período de recuperação das disrupções causadas pela guerra. A normalização da situação no Estreito de Ormuz é um sinal encorajador, contribuindo para a confiança dos agentes económicos.

Além disso, a reconstrução das áreas mais afetadas pelas tempestades deverá ajudar a mitigar, ainda que parcialmente, os efeitos negativos do início do ano. O Fórum prevê que o crescimento económico em 2026 possa ficar ligeiramente abaixo dos 2%.

No que diz respeito à vertente orçamental, o Fórum alerta que a previsão do Ministério das Finanças para um saldo equilibrado no final do ano está a tornar-se cada vez mais desafiadora. O saldo positivo de 638 milhões de euros registado até maio do ano passado transformou-se num défice de 1.762 milhões de euros. A pressão nos pagamentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e as moratórias para as empresas afetadas pelas tempestades estão a agravar a situação.

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O crescimento da receita, que foi de 4,4%, é muito inferior ao crescimento da despesa, que atingiu 9,7%. Embora a despesa total esteja a crescer abaixo do previsto, a despesa corrente está a ultrapassar as expectativas. Por outro lado, a receita de capital está a revelar-se mais fraca do que o esperado, exceto nas contribuições para a Segurança Social, que aumentaram 7,1%.

O défice de 0,7% apurado para o primeiro trimestre é calculado com base no PIB trimestral. Se forem utilizadas estimativas razoáveis do PIB anual, o défice poderá ser de cerca de 0,16% do PIB. Para atingir um saldo nulo, será necessário um excedente equivalente no restante do ano. Em suma, embora os resultados do primeiro trimestre sejam desfavoráveis, ainda não comprometem a meta orçamental anual, embora tornem a execução do resto do ano mais exigente.

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Fonte: Sapo

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