Terramotos na Venezuela causam prejuízos de 7% do PIB

Os recentes terramotos na Venezuela, com magnitudes de 7,2 e 7,5, resultaram em prejuízos materiais que variam entre 6,7 mil milhões e 10 mil milhões de dólares. Este impacto representa cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo uma avaliação preliminar realizada pelas Nações Unidas. A análise baseou-se em dados populacionais, modelos sísmicos e imagens de satélite, revelando que pelo menos 855 edifícios sofreram danos significativos, dos quais 189 colapsaram completamente.

A resposta a esta calamidade natural tem sido insuficiente, e os valores dos prejuízos poderão aumentar à medida que as operações de limpeza do solo avançam. Além disso, a Venezuela enfrenta crises alimentares, de medicamentos e de habitação, que acentuam a precariedade de um país que, há quatro décadas, era considerado o mais desenvolvido da América do Sul. As autoridades já alertaram para o aumento da dissensão social, banditismo e pilhagem, que já estão a ocorrer e tendem a agravar-se. Inicialmente, a avaliação dos danos indicava um impacto de 4% no PIB, mas a nova estimativa de 7% revela uma deterioração da situação.

Um dos principais desafios que os venezuelanos enfrentarão é a falta de seguros para cobrir a vasta maioria dos prejuízos. A baixa penetração de seguros no mercado venezuelano significa que muitos dos danos materiais não terão qualquer cobertura, deixando a população dependente da mobilização de recursos internos e da ajuda internacional.

Num país com uma dívida pública colossal, o petróleo é a principal fonte de riqueza. Contudo, a produção está sob controlo externo, uma vez que o governo dos Estados Unidos impôs sanções que limitam a capacidade da empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) de operar no mercado. A produção é direcionada para os EUA, tornando a Venezuela vulnerável às decisões tomadas em Washington, especialmente em relação à resposta à calamidade.

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Os Estados Unidos já anunciaram a mobilização de 150 milhões de dólares para ajudar a Venezuela, dos quais 100 milhões serão geridos através de fundos da ONU. No entanto, este montante é apenas uma fração do que será necessário, uma vez que o custo total para a reconstrução das áreas afetadas está estimado entre 13 mil milhões e 20 mil milhões de dólares. Embora a ONU tenha calculado os danos imediatos em 6,7 mil milhões de dólares, economistas alertam que o custo real de reconstrução será muito superior.

O governo interino, liderado por Delcy Rodríguez, anunciou um fundo inicial de ajuda de 200 milhões de dólares, utilizando recursos do Fundo Monetário Internacional. Contudo, mesmo a soma das verbas anunciadas é considerada insuficiente. Para complementar este esforço, Christian Asinelli, vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), revelou a criação de um fundo internacional para arrecadar recursos para a reconstrução. Asinelli destacou que a situação não será resolvida rapidamente e que serão necessários muitos anos para a recuperação.

“Muitas empresas privadas já se mostraram dispostas a contribuir para este fundo. As doações podem ser feitas da Argentina e de outros países”, afirmou. O próprio banco já transferiu um milhão de dólares para o fundo. Vale recordar que Portugal é um dos acionistas internacionais do banco de desenvolvimento, com uma participação simbólica gerida pelo Ministério das Finanças.

Leia também: A situação económica da Venezuela e os desafios futuros.

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Fonte: Sapo

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