A antiga fábrica de conservas Vasco da Gama, em Matosinhos, tornou-se um espaço inovador para a moda portuguesa. Durante o evento Portugal Fashion Experience, o local foi transformado num palco vibrante onde estudantes, designers emergentes e nomes consagrados se uniram para moldar o futuro da moda nacional.
Antes mesmo de as luzes se acenderem na passerelle, a agitação nos bastidores era palpável. Modelos apressavam-se entre maquilhadores e aderecistas, enquanto carrinhos carregados de roupas percorriam os corredores. As criações apresentavam elementos inusitados como conchas, redes de pesca e fechos metálicos, que traziam uma nova narrativa à arquitetura industrial do edifício.
A plateia estava cheia, com um público maioritariamente jovem, incluindo muitos estudantes de moda e profissionais do setor. O calor intenso não afastou os espectadores, que se mostraram entusiasmados e bem vestidos, quase como se fizessem parte do desfile. O Portugal Fashion procura reforçar a ligação entre criatividade, indústria e novas gerações, como explica Mónica Neto, diretora do evento: “Queremos que o Portugal Fashion Experience seja uma plataforma de futuro, capaz de gerar visibilidade e negócios.”
O apoio à moda portuguesa também se reflete nas políticas públicas. A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, anunciou que a moda será incluída nas áreas elegíveis para o Mecenato Cultural, permitindo ao setor atrair mais investimento privado. “A moda tem uma dimensão económica e cultural que queremos potenciar”, afirmou a ministra.
Um dos momentos mais aguardados do evento foi a entrega do prémio Bloom ao jovem designer André Pinto, de 26 anos. O aluno de Design de Moda no Modatex apresentou uma coleção inspirada no filme Metropolis, abordando temas como as alterações climáticas e a sobrevivência humana. “A ideia é começar pelo metálico e, com o passar da coleção, ir perdendo essa desumanização”, explicou Pinto.
A coleção de André evolui de peças rígidas e metálicas para materiais mais leves, simbolizando o regresso à natureza. O designer utilizou caricas de latas e fechos metálicos para criar uma malha única, demonstrando a sua ousadia e criatividade. O prémio inclui 2.500 euros para a próxima coleção, um estágio na Salsa Jeans e formação na Católica Porto Business School.
A menção honrosa foi atribuída a Rita Santos, que apresentou uma coleção que combina pérolas e macramé. O desfile da ESAD contou com cerca de 30 alunos, cada um mostrando o seu trabalho académico.
Joana Teodoro, coordenadora da licenciatura em Design de Moda da ESAD, sublinhou a importância de preparar os jovens para o mercado. “Os prémios são uma consequência de um trabalho, mas o essencial é que eles entendam que devem construir projetos viáveis e relevantes.”
O evento também destacou o percurso de Enzo Peres, vencedor do Bloom no ano passado, que voltou ao Portugal Fashion com a sua própria coleção. “Este prémio mudou a forma de pensar”, disse Enzo, refletindo sobre os desafios de produzir moda. O seu conselho para o novo vencedor é claro: “Decida se quer fazer roupa ou vender arte.”
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Fonte: ECO





