O grupo britânico Linde, que conta com cerca de 600 colaboradores em Portugal, anunciou um aumento de 14% no seu negócio de cuidados de saúde com a recente aquisição da espanhola Acaíl Gás. Esta compra, concluída na semana passada, marca um passo importante na estratégia de crescimento da multinacional de gases industriais, alimentares e medicinais na Península Ibérica.
A fusão com a Acaíl Gás foi formalizada a 30 de junho, após a aprovação da Autoridade da Concorrência (AdC), que não impôs condições à transação. Tiago Esteves, diretor executivo da Linde Homecare para a Europa e diretor geral da Linde Saúde em Portugal, afirmou que a empresa está focada na integração da nova subsidiária e na definição do futuro da marca Acaíl, se será mantida ou absorvida pela Linde.
Esteves destacou que a Linde está atenta a novas oportunidades de aquisição na Europa, especialmente no setor de cuidados de saúde e cuidados domiciliários. “Estamos abertos a novas possibilidades, mas normalmente não comentamos sobre negociações em curso”, disse. A empresa já havia realizado uma aquisição recente, a Isilife em França, e demonstra um apetite significativo para fortalecer a sua presença no mercado ibérico, que considera de grande qualidade e ética.
A Linde encarou a análise da AdC como um processo natural, sem surpresas. O regulador pediu mais informações para avaliar se a operação poderia afetar a concorrência, mas acabou por concluir que não havia riscos significativos. “Foi um desfecho positivo e alinhado com as nossas expectativas”, afirmou Esteves.
Com a aquisição da Acaíl Gás, a Linde pretende investir em novas terapias e produtos relacionados com a saúde digital, reforçando a sua componente tecnológica. “A nossa estratégia é integrar gradualmente a Acaíl e aprender com a sua experiência”, explicou o diretor geral.
Além disso, a Linde está a explorar oportunidades de investimento em startups, especialmente na área de healthtech. A parceria com a Fábrica dos Unicórnios de Lisboa tem proporcionado um ambiente dinâmico para o desenvolvimento de novas ideias. “Estamos abertos a potenciais investimentos, tanto em hardware como em software”, afirmou Esteves.
A área de saúde da Linde tem crescido entre 4% a 7% anualmente, impulsionada por terapias estáveis, como oxigénio para doentes e ventilação. No entanto, a empresa também enfrenta desafios, como o impacto da guerra no Médio Oriente nos custos de produção. Esteves reconheceu que, embora haja um impacto, este não é substancial, dado que a Linde já tinha planos de mitigação em curso.
No primeiro trimestre deste ano, a Linde registou vendas globais de 8,8 mil milhões de dólares (cerca de 7,7 mil milhões de euros), refletindo um aumento de 8% em relação ao ano anterior. Em Portugal, a Linde Portugal (Lda.) sozinha faturou mais de 50 milhões de euros.
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Fonte: ECO





