Empresas erram ao usar inteligência artificial sem estratégia

A inteligência artificial (IA) tornou-se uma parte integrante das ferramentas que utilizamos diariamente, desde editores de texto a sistemas de gestão empresarial. No mais recente episódio do podcast Work Around, do ECO, com o apoio da Gi Group Holding, Cláudia Borges, Partner da Moneris Innovation Lab, e Gustavo Rodrigues, Executive Manager da Qibit, discutiram os desafios que as empresas enfrentam ao integrar esta tecnologia.

Cláudia Borges destaca que a IA já não é uma tecnologia isolada, mas sim uma funcionalidade embutida nas aplicações que usamos. Isso implica que todos os profissionais, independentemente da sua formação, estão expostos a assistentes de IA, mesmo sem a preparação necessária para os utilizar de forma eficaz.

Gustavo Rodrigues alerta para um erro comum: muitas empresas implementam IA “em cima” de processos existentes, sem adaptar esses processos à nova tecnologia. Ele afirma que “não tem que ser a IA a ser colocada em cima do que já existe, mas tens de adaptar o que existe para que a IA possa encaixar”. Sem essa adaptação, o investimento em IA pode não trazer os resultados esperados. Rodrigues questiona: “A empresa vai ao final de uma semana dizer ‘em vez de ter perdido três horas a fazer um PowerPoint, demorei dez minutos’. Mas o que é que fizeste com as duas horas e cinquenta que sobraram?”.

Além da ineficiência, Cláudia Borges sublinha os riscos de alimentar modelos de IA com informações confidenciais ou mal contextualizadas. O maior erro, segundo ela, é confiar cegamente nos resultados gerados. “Posso confiar, mas o ser humano no loop para validação do resultado faz toda a diferença”, afirma, exemplificando com a área da medicina, onde a decisão final deve sempre ser tomada por um profissional.

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Gustavo Rodrigues também menciona a preocupação com a segurança da informação, alertando que algumas equipas colocam documentos confidenciais em ferramentas de IA abertas, expondo dados sensíveis na internet. Para ele, o compliance é “o ponto mais importante” nesta transição, especialmente em setores regulados como a banca e a contabilidade.

Outro desafio é a rapidez com que a tecnologia evolui. Enquanto há alguns anos os ciclos tecnológicos demoravam uma década a serem absorvidos, hoje renovam-se em poucos meses. “Os ciclos de adoção são cada vez mais curtos”, nota Rodrigues.

Os especialistas oferecem conselhos práticos para as empresas que desejam incorporar a inteligência artificial nos seus processos. Primeiro, é essencial identificar tarefas repetitivas e estruturadas; depois, planear a implementação em fases, em vez de tentar mudar tudo de uma vez. Além disso, é fundamental que as lideranças expliquem o propósito da tecnologia às equipas, em vez de imporem o seu uso. Dominar estas ferramentas, sublinham, está a tornar-se tão essencial como saber usar o Excel ou o Word.

Leia também: Como a inteligência artificial está a transformar o mercado de trabalho.

inteligência artificial inteligência artificial Nota: análise relacionada com inteligência artificial.

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Fonte: ECO

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