Irão garante cumprimento de acordo de cessar-fogo com EUA

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou que o país “cumpriu a sua palavra” em relação ao protocolo de cessar-fogo com os Estados Unidos. A declaração foi feita na rede social X, onde Araghchi sublinhou que “só pode haver respeito quando este é mútuo”. No entanto, a situação complicou-se quando o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que o acordo de cessar-fogo estava rescindido, após o reinício das hostilidades entre as duas nações.

Os confrontos recomeçaram na passada terça-feira, com ataques intensos entre iranianos e norte-americanos, os mais severos desde a assinatura do protocolo a 17 de junho, que visava pôr fim à guerra iniciada em fevereiro por um ataque israelita e norte-americano ao Irão. Trump reiterou que o cessar-fogo estava “terminado”, mas mostrou-se aberto ao diálogo com Teerão.

O presidente dos EUA afirmou que a República Islâmica pediu para continuar as “discussões”, mas deixou claro que o cessar-fogo não estava mais em vigor. O porta-voz do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, por sua vez, negou que Teerão tivesse feito tal pedido e anunciou que Araghchi se deslocaria a Omã para discutir questões relacionadas com o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial no conflito.

Teerão tem limitado o tráfego no estreito, onde normalmente transita cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo. Em resposta aos ataques norte-americanos, o Irão retaliou com ações contra os seus vizinhos do Golfo, incluindo o Kuwait, Bahrein e Qatar, resultando em feridos e tensões adicionais na região.

Os Estados Unidos, por sua vez, informaram que iriam restabelecer sanções económicas contra o petróleo iraniano, que tinham sido suspensas pelo protocolo de 17 de junho. Araghchi denunciou esta medida como uma “violação” do cessar-fogo, aumentando ainda mais as tensões entre os dois países.

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A escalada de violência ocorreu durante as cerimónias fúnebres do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que faleceu no início da guerra. A calma parece ter regressado temporariamente, com uma delegação do Qatar, mediador nas conversações, a chegar ao Irão para tentar facilitar um diálogo. O primeiro-ministro paquistanês, também mediador, exortou o presidente iraniano a preservar a paz “conquistada com muito esforço”.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que a guerra “nunca terminaria com a rendição do Irão”. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohammad Bagher Zolghadr, advertiu que o país responderá a qualquer ataque contra as suas infraestruturas, incluindo possíveis ações contra Israel.

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Fonte: ECO

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