O 17.º Congresso do Livre, que decorre este fim de semana em Sintra, Lisboa, tem sido palco de intensas críticas à atual direção do partido. As listas S e V, que se apresentam a este congresso, apelaram a uma maior democracia interna e expressaram preocupação com o que consideram ser um “fechamento” do partido.
Rodrigo Brito, líder da lista S, destacou que, embora o Livre tenha crescido, isso não é suficiente. “Crescer por si só não chega, porque uma árvore cresce para cima mas só resiste se crescer para baixo”, afirmou, enfatizando a necessidade de “criar raízes”. Brito defendeu que o partido deve confiar nos seus membros e na inteligência coletiva que o fez nascer. “O Livre conquistou espaço, agora tem que ganhar espessura”, acrescentou.
Sara Peralta, número dois da lista S, criticou a proposta da lista de Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, que sugere a criação da figura de secretário-geral. “Mudanças estatutárias fazem-se em lugar próprio, com debate claro e convergência”, sublinhou, defendendo que o partido não deve adotar essa figura por aclamação direta num congresso eletivo.
Por sua vez, Tiago Mota, da lista V, alertou para a “doença grave” que afeta a democracia, referindo-se ao crescente afastamento entre os cidadãos e a política. “O Livre tem que ser o seu antídoto”, afirmou, pedindo uma maior transparência interna. Mota criticou a falta de reuniões públicas do Grupo de Contacto, que, segundo os estatutos do partido, deveriam ocorrer mensalmente. “Onde está essa transparência? Quando as reuniões deixam de ser públicas, elas tornam-se o sintoma da doença grave que temos lá fora”, lamentou.
Uma das propostas da lista V é a votação de uma “Moção Estratégica de Compromisso”, que leve em consideração as diversas posições dos membros do partido. Mota também reiterou que “a política é muito mais do que o parlamento” e que o Livre “só será verdadeiramente grande quando não se limitar a São Bento”.
As críticas à direção atual e as propostas de mudança refletem um desejo de revitalização do partido, que enfrenta desafios internos e externos. A discussão sobre a democracia interna no Congresso do Livre é, portanto, um tema central que poderá moldar o futuro da formação política.
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Congresso do Livre Congresso do Livre Nota: análise relacionada com Congresso do Livre.
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Fonte: Sapo





