A falta de água em Almada tem gerado preocupações e transtornos para os residentes, especialmente durante o verão. Ana Gaspar, uma médica que vive em São João da Caparica, relata que a situação se agravou nas últimas semanas, com episódios de baixa pressão e cortes prolongados. No último sábado, a sua família ficou sem água durante 15 horas, o que dificultou a rotina diária, incluindo a higiene pessoal e a preparação de refeições.
A autarquia de Almada reconheceu a gravidade da situação, decretando uma “situação de alerta” e anunciando que o abastecimento de água só deverá normalizar dentro de duas a três semanas. Para mitigar a falta de água, um novo furo deverá entrar em funcionamento até ao final da semana, aumentando a disponibilidade em 20%. Além disso, um outro furo de maior capacidade será licenciado de imediato.
O aumento do consumo de água em Almada, que já ultrapassa os 300 litros diários por habitante, é um dos principais fatores que contribuíram para a crise. Este valor é quase o dobro da média nacional, que se situa nos 180 litros. As freguesias de Charneca da Caparica, Sobreda/Lazarim e Costa da Caparica são as que mais têm sentido este aumento, com subidas que chegam a 15%.
A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, explicou que a subida no consumo foi “imprevisível” e não se deveu a roturas, mas sim ao aumento da população, tanto residente como de turistas. A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, reforçou a necessidade de todos os cidadãos reduzirem o consumo de água ao essencial. As restrições incluem a proibição de rega de jardins, lavagem de carros e enchimento de piscinas.
A autarquia também está a implementar medidas para garantir o abastecimento a serviços essenciais, como hospitais e lares, e a aumentar a fiscalização para prevenir consumos abusivos. A percentagem de água desperdiçada em Almada é alarmante, com 35% dos recursos a serem perdidos, o que exige uma ação urgente.
A professora Rita Maurício, especialista em abastecimento de água, sugere que é fundamental abordar as perdas e aumentar o número de captações para enfrentar o crescimento populacional. A situação em Almada é considerada excecional, mas com as alterações climáticas, a possibilidade de crises semelhantes no futuro não pode ser ignorada.
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Fonte: ECO





