Nos últimos dias, o preço do petróleo tem estado sob pressão devido a uma nova vaga de ataques entre os Estados Unidos e o Irão, juntamente com sanções norte-americanas ao petróleo iraniano e a instabilidade no Estreito de Ormuz. Desde 7 de julho, quando os confrontos recomeçaram, o brent subiu 3% e o crude valorizou 2%.
A questão que se coloca agora é se o preço do petróleo poderá voltar a negociar acima dos 100 dólares. A última vez que isso aconteceu foi em maio. Especialistas consultados pelo Jornal Económico não descartam essa possibilidade. A deterioração dos fundamentos do mercado e as perturbações no Estreito de Ormuz, que é responsável por cerca de 20% do petróleo mundial, são fatores que podem contribuir para essa subida.
Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, acredita que um regresso sustentado aos 100 dólares exigiria uma “deterioração significativa” dos fundamentos do mercado. Por outro lado, Henrique Valente, analista da ActivTrades, considera que a barreira dos 100 dólares só poderá ser ultrapassada em caso de um “choque” de oferta real e prolongado. Vítor Madeira, analista da XTB, refere que o petróleo está a testar a zona dos 78 dólares por barril e que a pressão ascendente sobre o mercado do petróleo poderá continuar no futuro próximo.
Atualmente, o brent está a ser negociado a 78,58 dólares e o crude a 73,84 dólares. Vítor Madeira destaca que o choque geopolítico já se refletiu nos preços do petróleo. Embora episódios isolados de hostilidade possam aumentar temporariamente o risco geopolítico, é difícil que sejam suficientes para levar o Brent novamente acima dos 100 dólares. Cenários que poderiam provocar uma subida acentuada incluem um bloqueio persistente no tráfego do Estreito de Ormuz ou um ataque a infraestruturas críticas de exportação.
Paulo Monteiro Rosa alerta para o risco de uma “interrupção relevante” da oferta, seja por uma redução na produção de grandes produtores ou por perturbações no transporte marítimo, especialmente no Estreito de Ormuz. As informações contraditórias sobre o estado do Estreito de Ormuz entre os EUA e o Irão aumentam a incerteza. Enquanto os EUA afirmam que o Estreito está aberto, a Guarda Revolucionária do Irão anunciou o seu encerramento “até nova ordem”.
Apesar da escalada das tensões, as exportações marítimas da Rússia permanecem elevadas e a produção de países fora da OPEP+ continua a crescer. Portanto, sem uma disrupção significativa, uma subida acima dos 100 dólares não é o cenário mais provável a curto prazo.
O mercado do petróleo é influenciado pelo equilíbrio entre a oferta e a procura a nível global, e atualmente, continua a incorporar um prémio de risco associado ao agravamento das tensões no Médio Oriente. No entanto, até agora, a produção mundial de petróleo e os fluxos de abastecimento não sofreram perturbações significativas.
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Fonte: Sapo





