Netflix utiliza inteligência artificial em 300 produções em 2023

A Netflix anunciou que, em 2023, integrou inteligência artificial (IA) em cerca de 300 produções, principalmente na fase de pós-produção. Esta informação foi partilhada numa carta enviada aos investidores, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.

A empresa destacou que o uso da IA generativa tem vindo a aumentar rapidamente entre os seus parceiros criativos, abrangendo todo o ciclo de produção, desde a conceção até à entrega final. A Netflix sublinhou que estas ferramentas permitem alcançar resultados de maior qualidade, reduzindo o tempo e os custos em comparação com os métodos tradicionais. Em alguns casos, a inclusão de cenas e sequências-chave teria sido impossível sem a utilização da IA generativa.

Entre os projetos que beneficiaram desta tecnologia estão a produção brasileira “Brasil 70: A Saga do Tri”, a indiana “Glory” e a norte-americana “The American Experiment”. Estas produções utilizaram a inteligência artificial para criar sequências complexas, como a ampliação digital de multidões e recriações de batalhas históricas, contribuindo para a construção de universos visuais mais ricos.

A Netflix considera que a utilização responsável e transparente da IA é uma ajuda valiosa. A empresa espera que todos os seus parceiros informem sobre qualquer uso previsto da IA generativa, especialmente à medida que novas ferramentas com diferentes capacidades e riscos surgem.

No segundo trimestre, a Netflix registou um lucro líquido de 3,4 mil milhões de dólares (cerca de 3 mil milhões de euros), uma queda em relação aos 5,3 mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros) do trimestre anterior. Contudo, as receitas aumentaram para 12,6 mil milhões de dólares (11,0 mil milhões de euros), refletindo um crescimento homólogo de 13%, em linha com as expectativas do mercado.

Em março, a Netflix adquiriu a produtora InterPositive, que se especializa em cinema com inteligência artificial e foi fundada pelo ator e realizador Ben Affleck. Durante a apresentação dos resultados, o codiretor executivo Ted Sarandos afirmou que “as grandes obras só podem nascer do talento de grandes criadores, e a inteligência artificial não altera essa realidade”. Ele acrescentou que a IA serve para disponibilizar melhores ferramentas para concretizar ideias, reafirmando que os filmes continuam a ser feitos por pessoas, com a IA a atuar como um suporte para melhorar o processo.

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Fonte: ECO

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