Fratzscher alerta para os riscos da dependência económica global

Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Investigação Económica (DIW Berlin), expressou preocupações sobre a dependência económica da Europa em relação à China e aos Estados Unidos. Em entrevista ao ECO, à margem do Fórum do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra, Fratzscher defendeu que a prioridade da Europa deve ser investir nas pessoas, na inovação e numa política energética comum. No entanto, ele critica os governos por priorizarem interesses nacionais em detrimento de uma posição europeia unificada.

A resiliência da Europa face aos choques económicos, como a guerra no Médio Oriente, foi melhor do que o esperado. A desaceleração económica não se revelou tão severa, e a inflação não disparou como em 2022. Fratzscher atribui parte desse sucesso a boas reservas de energia e a uma resposta responsável dos decisores políticos. Contudo, alerta que a Europa continua vulnerável, especialmente devido à sua dependência de combustíveis fósseis, o que torna a transição energética um desafio urgente.

Sobre a inflação na Zona Euro, Fratzscher prevê um aumento para cerca de 3% este ano, com os preços dos alimentos a serem uma preocupação crescente. Ele sublinha que os preços dos alimentos tendem a reagir com atraso aos custos energéticos, o que significa que as famílias devem preparar-se para um aumento contínuo nos custos de vida. Este cenário afeta desproporcionalmente os cidadãos de baixos rendimentos, o que exige uma resposta mais direcionada dos governos.

Fratzscher também critica a forma como a Europa tem lidado com a segurança económica. O conflito com o Irão não trouxe novas lições, mas reforçou a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, especialmente após a guerra na Ucrânia. Ele defende uma aceleração na transição para energias renováveis e uma política energética comum que una os países europeus.

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A fragmentação geopolítica, exacerbada por ações de Donald Trump e pela concorrência desleal da China, exige uma resposta mais coesa da Europa. Fratzscher alerta que os governos europeus precisam de se comprometer mais com o projeto europeu, especialmente em áreas como defesa, energia e tecnologia. Ele expressa ceticismo quanto à disposição dos governos para agir em benefício da Europa, temendo que a situação tenha de piorar antes que haja uma mudança de atitude.

A longo prazo, Fratzscher identifica a formação e a atração de jovens como o maior desafio para a competitividade europeia. A Europa deve investir nas suas pessoas e criar condições que incentivem a migração, dada a diminuição da população. Além disso, ele destaca a importância da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, como um desafio urgente que precisa ser abordado.

Por fim, Fratzscher defende que a Alemanha, enquanto motor económico da Europa, deve diversificar as suas dependências, reduzindo a sua vulnerabilidade em relação a países como a China e os Estados Unidos. A diversificação das parcerias comerciais e o fortalecimento das instituições multilaterais são essenciais para garantir a segurança económica da Europa.

Leia também: A importância da diversificação económica para a Europa.

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Fonte: ECO

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