Num mundo cada vez mais volátil e repleto de riscos, a função do subscritor de seguros está a passar por uma transformação significativa. A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, promete revolucionar a forma como avaliamos e gerimos riscos. No entanto, é fundamental não cair na armadilha de acreditar que a tecnologia pode substituir a experiência e o conhecimento empírico dos subscritores. Essa crença pode ser perigosa e contraproducente.
O subscritor de seguros do futuro não pode ser um generalista que se limita a seguir diretrizes tradicionais. Em vez disso, terá de ser um especialista, capaz de interpretar criticamente modelos e de contribuir ativamente para a sua evolução. Os modelos de pricing não devem ser vistos como caixas negras; precisam de ser constantemente ajustados com dados reais de mercado e uma base estatística sólida. A capacidade de lidar com a incerteza, de rever pressupostos à medida que novos dados surgem e de tomar decisões transparentes e adaptáveis é crucial num contexto onde os riscos estão em constante mutação.
Outro aspecto importante a considerar é a norma IFRS 17, que regula os contratos de seguro. Esta norma não é apenas uma exigência contabilística, mas uma ferramenta que permite capturar a realidade económica das carteiras de seguros. Se os modelos de pricing não estiverem alinhados com os princípios da IFRS 17, corre-se o risco de perpetuar desequilíbrios e criar contratos onerosos, o que pode prejudicar os acionistas e, em última análise, a confiança do mercado. A solidez técnica no pricing deixou de ser uma mera vantagem competitiva; tornou-se um requisito essencial para a sobrevivência e sustentabilidade da indústria.
A indústria de seguros deve, portanto, reconhecer que a resiliência não se constrói apenas com capital ou tecnologia, mas também com conhecimento especializado e humildade intelectual. A sofisticação dos modelos de inteligência artificial e a disciplina contabilística só terão um impacto real se os subscritores de seguros assumirem o seu papel como críticos e arquitetos, questionando pressupostos, ajustando probabilidades e evitando simplificações perigosas.
A próxima década exigirá subscritores altamente especializados. Aqueles que não conseguirem contribuir para a ciência do risco poderão deixar de ser parte da solução e passar a ser parte do problema. Leia também: A importância da formação contínua para os subscritores de seguros.
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Fonte: ECO





