O grupo tecnológico norte-americano Meta, conhecido por plataformas como Facebook e Instagram, anunciou a sua retirada do compromisso de utilizar exclusivamente eletricidade gerada por energias renováveis. Esta decisão foi confirmada na passada sexta-feira e surge num momento em que a empresa está a expandir a construção de centros de dados, que são conhecidos pelo seu elevado consumo energético.
A Meta deixou de fazer parte da iniciativa RE100, promovida pela Climate Group, uma organização não-governamental com sede no Reino Unido, que visa incentivar empresas a adotarem práticas sustentáveis. A RE100 conta com 444 membros, incluindo gigantes como Apple, Google e Microsoft. Um porta-voz da Meta afirmou à agência France-Press que, apesar da saída, a empresa continua a investir em energias renováveis e mantém o objetivo de utilizar fontes limpas para todas as suas operações.
A decisão da Meta foi inicialmente reportada pelo portal especializado Recharge News, que revelou que a empresa tinha aderido à iniciativa em 2016. A retirada ocorre num contexto de crescimento acelerado na construção de centros de dados, infraestruturas essenciais para o funcionamento da inteligência artificial (IA), mas que consomem enormes quantidades de energia.
Recentemente, a Meta firmou acordos com fornecedores de energia para desenvolver novas centrais a gás natural, incluindo uma para o centro de dados Hyperion, localizado na Louisiana, EUA. Embora a empresa afirme que cobre desde 2020 toda a eletricidade utilizada com energias limpas e renováveis, a sua atual estrutura de consumo energético levanta preocupações sobre a sua conformidade com os critérios da RE100.
Um representante da Climate Group mencionou que a Meta não conseguiu manter os critérios técnicos exigidos devido aos novos investimentos em centrais a gás natural. Esta não é uma situação isolada; outras grandes empresas de tecnologia, como a Microsoft e a Alphabet (Google), também têm recuado em compromissos semelhantes, optando por soluções que envolvem gás natural para alimentar os seus centros de dados.
A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê um aumento significativo na procura global de eletricidade, com um crescimento de 3,6% em 2026 e 3,8% em 2027. Este crescimento é impulsionado, em grande parte, pela expansão dos centros de dados. As energias renováveis estão projetadas para se tornarem a principal fonte de eletricidade mundial em 2026, superando o carvão.
Além do consumo energético, a inteligência artificial também requer grandes quantidades de água, especialmente para arrefecer os centros de dados. Estima-se que uma única operação de IA de média escala possa consumir até meio litro de água. As projeções da ONU alertam que o consumo de água associado à IA poderá igualar as necessidades básicas de 1,3 mil milhões de pessoas até 2030.
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Fonte: Sapo





