O município de Leiria está a enfrentar um esforço financeiro significativo na ordem dos 38,6 milhões de euros, com IVA incluído, para a recuperação após os danos causados pela tempestade Kristin. Este valor, conforme atualizado a 24 de julho, abrange contratos, fornecimentos contínuos e procedimentos que ainda estão por lançar. Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria, sublinhou que este montante não representa uma despesa já executada, mas sim a dimensão financeira necessária para a resposta e recuperação que se avizinham.
Na reunião do executivo municipal, realizada no Coimbrão, Gonçalo Lopes destacou a importância deste “esforço excecional” para a autarquia, assegurando um “rigor absoluto na utilização dos recursos públicos” e a exigência de apoio nacional que corresponda à gravidade dos danos enfrentados localmente.
Entre 28 de janeiro e 22 de julho, foram apoiados 11.924 agregados familiares com alimentação, e distribuídas 511,2 toneladas de bens. O autarca revelou que mais de 280 pessoas foram acolhidas em situações de emergência e alojamento temporário. O Gabinete Reerguer Leiria e as equipas sociais têm garantido atendimento personalizado nas 20 freguesias, com 1.140 atendimentos e visitas domiciliárias relacionadas com a tempestade.
Em termos de apoio psicológico, foram realizados 642 atendimentos nas várias modalidades disponíveis. No que diz respeito às candidaturas para apoio à recuperação de habitação, das 10.807 apresentadas no concelho, 8.456 foram processadas pelo município. Destas, 7.950 já receberam uma decisão da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, com 5.546 candidaturas pagas e 2.113 indeferidas.
Na área da educação, 110 edifícios escolares necessitaram de intervenção, dos quais 109 já foram alvo de obras. Gonçalo Lopes referiu que a rede escolar reabriu até 19 de fevereiro, utilizando instalações alternativas e módulos temporários quando necessário. Atualmente, três escolas continuam deslocalizadas, e cinco projetos estruturais estão em desenvolvimento para garantir um ambiente escolar mais seguro e resiliente.
A rede viária municipal e florestal também foi afetada, com cerca de 1.200 quilómetros identificados como danificados. Até 13 de julho, 1.031,49 quilómetros estavam já intervencionados, representando 86,18% da extensão validada. Gonçalo Lopes detalhou que foram realizadas 96 intervenções em edifícios, equipamentos e espaços públicos, num total de 11,8 milhões de euros.
Essas intervenções incluem o estádio municipal, escolas, centros de saúde e outros espaços utilizados diariamente pela população. O autarca destacou ainda a magnitude da operação de recolha de lixo em curso, que já contabilizou 6.130 toneladas de resíduos desde o início do tratamento.
Gonçalo Lopes afirmou que as intervenções nas linhas de água estão a avançar, com 3.300 dos 13.888 metros previstos já intervencionados. A vereadora Luísa Gonçalves (PSD) questionou sobre a deposição de resíduos ao longo de uma estrada, e o presidente reconheceu a gravidade da situação, assegurando que a remoção está a ser trabalhada.
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Fonte: ECO





