EUA tentam travar avanço da biotecnologia chinesa

A biotecnologia chinesa tem vindo a destacar-se em várias áreas da investigação científica, apresentando resultados promissores que atraem a atenção global. Contudo, os Estados Unidos, preocupados com a sua competitividade, estão a implementar sanções para tentar travar este avanço. A consultora GlobalData sublinha que a China está a emergir como um importante polo de inovação em biotecnologia, mas a sua influência crescente está a ser alvo de um escrutínio político e regulamentar por parte dos EUA.

Um exemplo claro do progresso da biotecnologia chinesa foi a apresentação do ivonescimab da Akeso na ASCO 2026, um dos principais congressos mundiais de oncologia, que decorreu em Chicago. Este anticorpo biespecífico, desenvolvido a partir de um ensaio clínico realizado exclusivamente na China, demonstrou uma redução significativa do risco de morte em doentes com cancro do pulmão de células escamosas, evidenciando a qualidade da investigação clínica chinesa.

Em resposta a esta ascensão, no dia 8 de junho, o Departamento de Defesa dos EUA incluiu a WuXi AppTec, uma organização de investigação e desenvolvimento, na sua lista de “empresas militares chinesas”. Esta decisão poderá limitar a capacidade da empresa de obter contratos futuros com a administração norte-americana, de acordo com a Lei Biosecure. A WuXi AppTec contestou a inclusão, considerando-a “equivocada e infundada”, e está a explorar medidas legais contra a decisão. Apesar de não haver uma interrupção imediata nas suas operações, a empresa está a tomar precauções para mitigar impactos futuros, incluindo a venda de ativos nos EUA e no Reino Unido.

Edita Hamzic, analista da GlobalData, destaca que a China está a ultrapassar o seu papel tradicional como mero fabricante de medicamentos genéricos, desenvolvendo agora terapias avançadas que competem a nível global. Este sucesso na biotecnologia é crucial, não só para a inovação em saúde, mas também para a resiliência da cadeia de abastecimento farmacêutico e para a segurança nacional.

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O Relatório de Outsourcing de Mercados Emergentes da GlobalData revela que, apesar do crescente escrutínio político, as parcerias entre empresas farmacêuticas americanas e biotecnológicas chinesas continuam a prosperar. Recentes acordos de licenciamento multimilionários demonstram a procura por ativos inovadores. Além disso, as empresas biofarmacêuticas chinesas estão a expandir as suas capacidades de fabrico, investindo em APIs de alta potência e peptídeos. Por exemplo, a Crystal Pharmatech lançou um laboratório em Suzhou para o desenvolvimento de APIs complexos, enquanto a Proton Pharma formou uma parceria para criar uma plataforma integrada de desenvolvimento de peptídeos.

Hamzic conclui que, embora as tensões geopolíticas estejam a moldar as parcerias de inovação entre os EUA e a China, a trajetória da China como uma das principais fontes de inovação biofarmacêutica não deverá ser afetada a longo prazo.

Leia também: O impacto das sanções na indústria farmacêutica global.

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Fonte: Sapo

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