A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) divulgou que apenas 26% dos prejuízos causados pelas tempestades que atingiram Portugal entre janeiro e fevereiro deste ano estavam cobertos por seguros. Este conjunto de fenómenos meteorológicos extremos resultou em perdas económicas estimadas em 5,3 mil milhões de euros, dos quais apenas 1,4 mil milhões estavam protegidos por apólices de seguro.
O relatório da ASF, publicado seis meses após a tempestade Kristin, que foi o evento mais severo do período, revela que cerca de 218 mil sinistros foram registados. Apesar da magnitude da catástrofe, mais de 99% dos sinistros já foram avaliados, com aproximadamente 85% dos processos encerrados. Além disso, mais de 80% dos prejuízos no segmento da habitação já foram indemnizados.
Gabriel Bernardino, presidente da ASF, afirmou que o setor segurador respondeu de forma robusta a este desafio, mas sublinhou que a baixa cobertura seguradora representa uma vulnerabilidade económica e social que não pode ser ignorada. Para mitigar esta situação, a ASF recomenda a criação de um Sistema Nacional de Proteção contra Catástrofes Naturais, que envolva cidadãos, empresas, seguradoras, resseguradores internacionais e o Estado. Este sistema visa aumentar a proteção e a resiliência do país face a fenómenos climáticos extremos.
O relatório também destaca que a solidez financeira das seguradoras não foi comprometida, uma vez que cerca de 91% das perdas seguradas foram cobertas pelo mercado internacional de resseguro, assegurando assim o pagamento das indemnizações. Entre as lições aprendidas, a ASF enfatiza a importância de adaptar edifícios e infraestruturas aos riscos climáticos, melhorar a capacidade de resposta a picos de sinistros e acelerar a digitalização dos processos de regularização.
Além disso, a ASF defende a necessidade de tornar os contratos de seguro mais simples e claros, com explicações detalhadas sobre coberturas e exclusões. Embora as reclamações tenham diminuído em relação ao número total de participações, muitas estavam relacionadas com a falta de compreensão das exclusões das apólices, especialmente em casos de infiltrações e danos em elementos exteriores dos edifícios.
A ASF conclui que os fenómenos meteorológicos extremos devem ser encarados como uma nova realidade, recomendando o reforço dos planos de resposta a catástrofes e a revisão dos modelos de avaliação do risco climático. Para preparar o setor para um novo perfil de risco, sugere ainda o uso intensivo de ferramentas de georreferenciação.
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Fonte: Sapo





