Os CTT divulgaram os resultados do primeiro semestre de 2023, revelando uma queda significativa de 41,6% no lucro, que se fixou em 12,9 milhões de euros. Esta diminuição deve-se, em parte, aos custos associados à conclusão do negócio com a DHL e a encargos de reestruturação relacionados com medidas de eficiência no segmento de Correios e Serviços. A empresa também enfrenta pressão devido ao contexto regulatório na União Europeia, o que levou a uma revisão em baixa das suas previsões para 2026.
O segundo trimestre foi particularmente afetado pela pressão sobre a atividade de desalfandegamento, impactando diretamente a subsidiária Cacesa, que opera em Espanha. A nova taxa de três euros, aplicada pela União Europeia a produtos de valor inferior a 150 euros encomendados fora da região, está a provocar mudanças significativas no mercado europeu, com plataformas de comércio eletrónico a transferirem parte da logística para países do leste.
Os CTT referem que este “contexto regulatório desafiante” está a gerar volatilidade em todo o setor. Para lidar com esta situação, a empresa está a implementar medidas de proteção, incluindo a redução da força de trabalho na Cacesa, adquirida no ano passado. Apesar da turbulência, os CTT esperam que esta situação seja temporária e ajustaram as suas previsões para 2026, prevendo agora um resultado operacional recorrente entre 115 e 125 milhões de euros, abaixo da expectativa anterior de pelo menos 125 milhões.
Além disso, os CTT decidiram aumentar o programa de recompra de ações próprias, alocando mais 10 milhões de euros, totalizando agora 40 milhões de euros. Este programa, que começou em fevereiro e se prolongará até abril de 2027, visa aproveitar as oscilações do mercado para adquirir e extinguir ações.
No que diz respeito ao desempenho financeiro, os CTT reportaram um EBITDA de 82 milhões de euros, uma queda de 3% em relação ao ano anterior. O resultado operacional também diminuiu 17,2%, fixando-se em 30 milhões de euros. As receitas totalizaram 674,3 milhões de euros, um aumento de 12,9%, impulsionado pela consolidação da Cacesa e da DHL Parcel Portugal. No entanto, os gastos operacionais aumentaram 15,6%, para 590,3 milhões de euros.
O segmento de Soluções de Comércio Eletrónico manteve um crescimento robusto, com receitas a aumentar 29,6% para 343,6 milhões de euros, beneficiando da evolução do mercado de e-commerce e do reforço da presença dos CTT na cadeia logística ibérica. Contudo, o negócio de desalfandegamento, apesar de ter crescido 11,6% no segundo trimestre, enfrentou uma queda ajustada de mais de 18%.
No segmento de Correio e Serviços, os rendimentos semestrais totalizaram 256,6 milhões de euros, uma diminuição de 2,7%, atribuída ao efeito positivo do período homólogo devido às eleições legislativas de 2025. No entanto, os serviços, excluindo o correio, registaram um aumento de 7,1% nos rendimentos.
O Banco CTT, que está a atrair o interesse do banco espanhol Cajamar, contribuiu com 74,1 milhões de euros para o grupo, um aumento de 8,1%. A margem financeira melhorou 9,7% e as receitas com comissões subiram 12,6%. O semestre terminou com quase 700 mil contas à ordem, um aumento de 0,7%, e os depósitos dos clientes cresceram 11,9%, atingindo 4.605,6 milhões de euros.
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Fonte: ECO





