O preço do ouro continua a subir, tendo ultrapassado a barreira dos 4.000 dólares por onça no mercado spot. Este aumento levou o banco suíço Julius Baer a revisar as suas previsões, elevando a meta para 4.150 dólares em três meses e 4.500 dólares em um ano. A instituição mantém uma visão otimista sobre o metal precioso, sustentada por um cenário económico favorável e pela crescente compra de ouro por parte dos bancos centrais.
De acordo com Carsten Menke, responsável pela pesquisa no Julius Baer, a acumulação de ouro por bancos centrais é um fator crucial. Esta tendência deverá continuar por mais três a cinco anos, à medida que os mercados emergentes diversificam as suas reservas em relação ao dólar. O aumento do preço do ouro é também impulsionado pelo abrandamento da economia norte-americana e pela expectativa de taxas de juro mais baixas, o que torna o metal precioso um ativo de refúgio atrativo.
O preço do ouro, que já subiu mais de 50% desde o início do ano, está a caminho de registar o seu melhor desempenho anual desde 1979. Marco Mencini, da Plenisfer Investments, reitera a sua visão positiva, destacando que a forte procura por ouro, especialmente por parte dos bancos centrais, e a oferta mineira limitada, são fatores que podem prolongar este rally.
Os bancos centrais têm sido responsáveis por 94% da valorização do ouro desde 2022, devido ao congelamento de ativos russos e ao aumento significativo das suas compras. Além disso, os fundos de investimento e os ETFs têm aumentado a sua exposição ao ouro, com fluxos que representam cerca de 10% da produção anual.
Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, sublinha que a procura por ouro reflete a incerteza económica e as tensões geopolíticas. O enfraquecimento do dólar, que já perdeu 9% desde o início do ano, também tem contribuído para a valorização do metal precioso. Evangelista alerta, no entanto, que o panorama geopolítico se deteriorou, com crises políticas em França e a paralisação do governo nos Estados Unidos, o que pode impactar os mercados financeiros.
As expectativas de cortes nas taxas de juro pela Reserva Federal dos EUA também estão a influenciar o preço do ouro. Os investidores aguardam ansiosamente as atas mais recentes do FOMC, que poderão fornecer mais indicações sobre a política monetária futura. Neste contexto, qualquer correção no preço do ouro pode ser vista como uma oportunidade de compra pelos investidores.
Konstantinos Chrysikos, da Kudotrade, acrescenta que a incerteza global e a política monetária dovish nos EUA têm levado os investidores a procurar o ouro como um ativo seguro. A recente crise de liderança em França e a mudança de primeiro-ministro no Japão aumentaram a cautela no mercado, reforçando a procura por ativos de refúgio.
Os influxos nos ETFs de ouro atingiram um recorde de 35 mil milhões de dólares até ao final de setembro, superando o pico anterior de 2020. Apenas em setembro, foram registados 17,3 mil milhões de dólares em novas alocações, evidenciando o apetite crescente por ouro tanto por investidores institucionais como de retalho.
Os riscos geopolíticos continuam a sustentar o sentimento positivo em relação ao preço do ouro, que se mantém em alta apesar das incertezas económicas. Leia também: O impacto das taxas de juro no mercado de ouro.
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Fonte: Sapo





