Ouro compra 65 barris de petróleo: OPEP+ em declínio?

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, o preço do petróleo, especialmente o WTI de Nova Iorque, tem estado intrinsecamente ligado à evolução do dólar e à economia global. Esta relação entre dólar, petróleo e ouro continua a ser fundamental. Durante cerca de 25 anos, o preço do petróleo manteve-se estável em termos de ouro, com uma onça de ouro a comprar cerca de 10 barris de petróleo. Este equilíbrio era resultado do sistema de Bretton Woods, que fixava o valor do dólar em 35 dólares por onça de ouro.

Na década de 1960, os défices comerciais dos EUA deveriam, teoricamente, levar à desvalorização do dólar. No entanto, o padrão-ouro impediu essa desvalorização, o que resultou numa gradual diminuição das reservas de ouro dos EUA. Os investidores vendiam ouro a preços superiores ao oficial e compravam-no de volta à Reserva Federal, aproveitando a arbitragem. Esta pressão culminou em agosto de 1971, quando os EUA decidiram suspender a conversão de dólares em ouro, levando ao colapso do sistema de Bretton Woods.

Em 1971, os produtores de petróleo recebiam 0,1 onças de ouro por barril, mas com o fim da convertibilidade do dólar, o valor do ouro triplicou em dois anos. Em 1973, os países produtores de petróleo recebiam apenas 0,029 onças de ouro por barril, resultando na primeira grande crise do petróleo. Os países árabes, dominantes na produção, decidiram aumentar o preço do crude em dólares para restaurar a remuneração em ouro que tinham perdido.

A situação repetiu-se em 1979, com o segundo choque petrolífero. A OPEP consolidou-se como o cartel dominante, mas, nos últimos 15 anos, a Rússia e outros produtores uniram-se à OPEP, formando a OPEP+. Com a revolução do shale oil, os EUA tornaram-se autossuficientes em petróleo, representando 20% da produção global.

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Durante a pandemia de 2020, o mercado do petróleo enfrentou um colapso sem precedentes, com o preço do WTI a atingir valores negativos. Em termos de ouro, o barril desceu para apenas 0,01 onça, o nível mais baixo já registado. A OPEP+ reagiu reduzindo a produção, estabilizando os preços e recuperando receitas.

Atualmente, o preço do petróleo está a 62 dólares por barril, refletindo a desaceleração económica e o aumento da produção da OPEP+. Contudo, em termos de ouro, o preço do petróleo está historicamente baixo, a apenas 0,016 onças por barril. Isso significa que uma onça de ouro compra mais de 60 barris de petróleo, indicando que os países produtores estão a receber cada vez menos em termos reais.

Esta tendência pode ser vista como uma diminuição do poder negocial dos produtores de petróleo. Ao contrário do que aconteceu após o colapso de Bretton Woods, onde conseguiram reajustar os preços, hoje aceitam uma remuneração real inferior. Muitos países têm procurado proteger-se dessa perda, reforçando as suas reservas de ouro, especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Enquanto os EUA e a Alemanha mantêm entre 70% e 80% das suas reservas em ouro, a China, que ainda possui menos de 10%, tem aumentado rapidamente as suas reservas. O ouro, por não poder ser confiscado nem impresso, está a voltar ao centro das estratégias monetárias das potências emergentes.

Em 1971, uma onça de ouro comprava 10 barris de petróleo; hoje, compra 65. O preço do petróleo pode variar, mas em termos reais, a capacidade dos produtores de petróleo tem diminuído significativamente.

Leia também: O impacto da OPEP+ na economia global.

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Fonte: ECO

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