A presidente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Sally Kornbluth, decidiu não assinar um acordo proposto pelo Governo Trump que condicionava o financiamento a determinadas prioridades para o ensino superior. Esta proposta foi apresentada a nove universidades no início de outubro e gerou controvérsia.
Na carta enviada à secretária da Educação, Linda McMahon, Kornbluth expressou a sua discordância em relação a vários princípios contidos no documento, que, segundo ela, poderiam restringir a liberdade de expressão e a autonomia do MIT. A presidente sublinhou que a instituição não pode comprometer a sua independência em troca de incentivos financeiros.
A proposta do Governo dos EUA inclui exigências que pedem às universidades que excluam fatores como sexo, etnia, raça, nacionalidade, opiniões políticas, orientação sexual, identidade de género e afiliações religiosas dos seus processos de admissão, atribuição de bolsas de estudo e recrutamento de pessoal. Além disso, o texto sugere que as instituições adotem definições biológicas de masculino e feminino para o uso de casas de banho e para a participação em competições desportivas.
O documento também propõe que as universidades revejam as suas estruturas de governação, com o objetivo de evitar uma “ideologia dominante” e de transformar ou abolir instituições que, segundo o Governo, punem ou rebaixam ideias conservadoras. As instituições de ensino superior têm a liberdade de não aderir a estes princípios, mas isso implica abdicar de benefícios federais, como empréstimos estudantis e financiamento de investigação.
As exigências da administração Trump foram igualmente enviadas a universidades de estados como Arizona, Pensilvânia, Sul da Califórnia, Texas e Virgínia, bem como a instituições como Brown, Dartmouth e Vanderbilt. Até ao momento, estas universidades ainda não se pronunciaram, mas espera-se que as suas reações sejam conhecidas antes de 20 de outubro.
Desde que assumiu novamente a presidência em janeiro, Trump tem intensificado a pressão sobre instituições como Harvard e Columbia, acusadas de antissemitismo por permitirem manifestações pró-palestinianas em 2024. Esta pressão inclui o congelamento de bolsas de investigação do governo federal, o que levanta questões sobre a liberdade académica e a autonomia das universidades.
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MIT Nota: análise relacionada com MIT.
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Fonte: Sapo





