O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, recém-nomeado pelo Presidente Emmanuel Macron, fez um apelo à calma em meio a um clima de crise política em França. Reconhecendo que a situação atual “assusta a Europa”, Lecornu admitiu que a sua permanência no cargo poderá ser curta, dado o contexto de profundas divisões políticas no país.
Após uma semana tumultuosa, Lecornu, que já se tinha demitido há apenas um mês, voltou ao cargo com a missão urgente de garantir um orçamento para a segunda maior economia da União Europeia. A imprensa europeia expressou a sua consternação face à “crise política interminável” e à escolha controversa de Macron em reconduzir Lecornu, que é o quarto primeiro-ministro francês em menos de um ano.
A situação é ainda mais complicada, uma vez que o campo centrista de Macron não possui uma maioria na Assembleia Nacional, enfrentando críticas crescentes, até mesmo dentro do próprio partido. A recondução de Lecornu é vista como uma última oportunidade para Macron revitalizar o seu segundo mandato, que termina em 2027, mas a crise política em França levanta preocupações sobre as repercussões económicas e financeiras na Europa.
Os rivais políticos, desde a extrema-direita à extrema-esquerda, criticaram a decisão de Macron, especialmente num momento em que o país enfrenta desafios económicos significativos, como o aumento da dívida pública e uma taxa de pobreza em crescimento. Lecornu, ao aceitar o cargo, destacou a necessidade urgente de encontrar soluções financeiras para o país, mas alertou que só permanecerá enquanto “as condições forem cumpridas”, admitindo a possibilidade de ser alvo de uma moção de censura num parlamento fragmentado.
Embora não tenha avançado com datas para a formação de um novo governo, Lecornu garantiu que não incluirá potenciais candidatos às presidenciais de 2027. Também não respondeu às exigências da oposição para revogar a polémica lei que aumentou a idade da reforma.
A crise política em França tem gerado uma paralisia que preocupa os mercados e os parceiros europeus. O diário britânico Financial Times sublinha que a renomeação de Lecornu ocorre sob a ameaça de uma moção de censura, o que pode marcar o fim do “Macronismo”. A popularidade de Macron está em mínimos históricos, e o sentimento de um “fim de época” domina o cenário político.
O jornal espanhol El País descreve Macron como um líder isolado, enfrentando uma espiral de declínio. A situação é ainda mais crítica, pois o projeto de Orçamento para 2026 deve ser apresentado antes de segunda-feira, data-limite para que o parlamento analise o documento antes de 31 de dezembro.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que todas as instâncias europeias estão a acompanhar a evolução da crise política em França com atenção, expressando esperança na resolução dos compromissos orçamentais internacionais. A dívida pública de França ascende a 3,4 biliões de euros, representando 115,6% do PIB, e a economia enfrenta um crescimento enfraquecido.
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Fonte: ECO





