Guerra das terras raras: impacto na economia global

A recente reabertura da guerra tarifária entre os Estados Unidos e a China, centrada nas terras raras, representa um momento decisivo na economia global. O que começou como uma disputa comercial evoluiu para um verdadeiro embate civilizacional, onde se definem as regras do século XXI.

As terras raras são insumos essenciais para a produção de semicondutores, veículos elétricos, turbinas e equipamentos militares, tornando-se o novo petróleo da era tecnológica. Ao restringir a exportação destes recursos, Pequim não apenas responde a Washington, mas também desafia o monopólio moral dos Estados Unidos sobre o conceito de “segurança nacional”.

De acordo com o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), as novas medidas são consideradas “legítimas e prudentes”, com o objetivo de garantir a estabilidade das cadeias globais e o cumprimento das obrigações internacionais. Embora não sejam proibições absolutas, funcionam como um sistema de licenças que, na prática, representa uma manobra estratégica que combina moderação e poder de dissuasão.

A reação de Washington foi imediata e previsível. O governo Trump anunciou tarifas que podem chegar a 100% e impôs novas restrições a softwares críticos, acusando a China de “coerção económica”. Por sua vez, Pequim devolveu a crítica, lembrando que os EUA têm expandido sanções e listas de controle há anos, aplicando o mesmo tipo de coerção que condenam. Desde as últimas negociações em Madri, os Estados Unidos adicionaram dezenas de empresas chinesas à “Entity List” e reativaram tarifas setoriais, evidenciando o duplo padrão da política americana.

Um ponto crucial a considerar é que, ao controlar as terras raras, a China compreende o impacto direto que isso tem sobre o complexo industrial-militar dos Estados Unidos. Os mesmos elementos que alimentam a indústria automóvel elétrica e a produção de smartphones são fundamentais para a capacidade bélica norte-americana, incluindo caças, mísseis e sistemas de defesa. Qualquer limitação na exportação de terras raras ressoa no coração da supremacia estratégica de Washington.

Leia também  Petróleo sobe com tensões entre Trump e Irão; bolsas europeias reabrem

Além disso, o atual conflito revela o custo global das políticas de Trump. A sua abordagem externa, muitas vezes performática, transforma o comércio num espetáculo, gerando instabilidade e incerteza. Cada decisão abrupta e cada tarifa imposta em nome da “grandeza americana” afeta as cadeias produtivas em todo o mundo. A Europa, já fragilizada, torna-se uma vítima colateral dos erros de Washington, que procura preservar a sua hegemonia à custa da previsibilidade.

A mensagem da China é clara: “não queremos a guerra comercial, mas não a tememos”. No fundo, esta é uma luta por legitimidade e liderança. O controle das terras raras é sinónimo de poder sobre os circuitos da economia digital e, potencialmente, sobre o equilíbrio militar global.

Leia também: a importância das terras raras na transição energética.

Leia também: Eleições autárquicas: a força da democracia local em Portugal

Fonte: Sapo

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top