O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, conseguiu um importante avanço ao ceder à principal exigência dos socialistas: a revisão da idade de reforma dos franceses não será discutida antes das próximas eleições presidenciais, previstas para o segundo trimestre de 2027. Este movimento resultou na decisão dos socialistas de não avançarem com uma moção de censura, permitindo assim que se sentem à mesa das negociações para o Orçamento do Estado de 2026.
Lecornu expressou alívio, afirmando que agora existem condições mínimas para que o novo governo possa apresentar o Orçamento e enfrentar as duas moções de censura que se avizinham, uma da extrema-esquerda e outra da extrema-direita. O deputado socialista Laurent Baumel confirmou que o grupo do Partido Socialista não irá votar nem apresentar uma moção de censura, o que reduz o risco de dissolução da Assembleia Nacional e abre espaço para um debate sobre o orçamento.
No entanto, a situação política continua volátil. Eric Ciotti, ex-presidente do partido Les Républicains, criticou a aliança com os socialistas, propondo uma reunião para discutir uma possível reversão dessa aliança. Ciotti acusou os deputados do seu partido de se tornarem “reféns” dos socialistas, enquanto Bruno Retailleau, atual líder dos Les Républicains, também expressou descontentamento com a decisão de suspender a reforma da previdência.
O Orçamento do Estado, que inclui cortes menos drásticos do que os 44 mil milhões de euros inicialmente propostos pelo governo anterior, exigirá que a França recorra aos mercados para obter 310 mil milhões de euros em 2026, de acordo com a Agência Francesa do Tesouro. Este montante representa cerca de 10,1% do PIB, mantendo-se estável em relação a 2025 e abaixo do pico de 11,2% alcançado em 2020, durante a crise da Covid-19.
Apesar das dificuldades, a situação financeira da França não parece afetar o sistema financeiro europeu. Tobias Adrian, do Fundo Monetário Internacional (FMI), destacou que a situação atual é muito diferente da crise da dívida de 2014, que impactou fortemente países como Grécia, Itália e Portugal. Embora o spread dos títulos franceses tenha aumentado, a situação permanece contida, sem riscos significativos de contágio para a zona euro.
As taxas de juros da dívida francesa caíram recentemente, com a taxa a 10 anos a situar-se em 3,41%, uma ligeira descida em relação aos 3,47% do dia anterior. O spread em relação aos títulos alemães também diminuiu, sinalizando uma redução da tensão sobre a dívida francesa. Este cenário, embora ainda delicado, oferece alguma esperança de estabilidade política e económica em França.
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Fonte: Sapo





