China critica EUA por arbitrariedade nas tarifas comerciais

A China acusou os Estados Unidos de agir com arbitrariedade e uma visão de curto prazo na sua política comercial. A crítica surge após Washington ter alertado que a China será a mais prejudicada se mantiver restrições à exportação de minerais estratégicos. O jornal oficial Global Times publicou um editorial intitulado “Washington não deveria surpreender-se com a resposta da China”, onde atribui as tensões entre as duas economias ao incumprimento de promessas por parte dos EUA e à sua conduta unilateral.

O editorial responsabiliza os Estados Unidos por “sobrestimar o seu poder de coerção” e “subestimar a capacidade de resposta da China”. As ameaças de novas tarifas comerciais, segundo o Global Times, têm desestabilizado os mercados globais e as cadeias de abastecimento. Pequim considera as suas contramedidas como uma defesa dos seus direitos legítimos e da justiça internacional.

Além disso, o texto critica a política comercial dos EUA, afirmando que esta revela uma “falta de visão estratégica”. O editorial avisa que o “grande bastão” que Washington empunha não passa de um “tigre de papel” para o povo chinês, uma expressão comum na retórica política do país. O China Daily, outro jornal oficial, também se juntou às críticas, com o académico Zheng Jueshi a acusar os EUA de aplicarem a “lei da selva” nas relações internacionais.

Zheng argumenta que Washington sacrifica os interesses de outros países em nome da sua hegemonia, enquanto Pequim defende um sistema de governação mais justo. Estas críticas surgem um dia após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter afirmado que a China será a mais prejudicada se continuar a adotar políticas “dececionantes e coercivas”, referindo-se às restrições impostas por Pequim à exportação de terras raras, essenciais para as indústrias tecnológicas e de defesa.

Leia também  FMI prevê crescimento global de 3,3% em 2026 impulsionado por EUA e China

Bessent também destacou os riscos de depender de um parceiro pouco fiável e defendeu que os EUA e os seus aliados devem diversificar as cadeias de abastecimento. Além disso, anunciou a fixação de preços mínimos em várias indústrias e o reforço da política industrial norte-americana para reduzir a dependência do mercado chinês.

As tensões comerciais entre os dois países têm-se agravado nas últimas semanas, especialmente após a decisão de Pequim de aplicar sanções a filiais norte-americanas da sul-coreana Hanwha Ocean e de impor novas tarifas a navios com bandeira dos EUA. Washington respondeu com medidas semelhantes e ameaçou impor tarifas de 100% a todos os produtos chineses a partir de 1 de novembro.

Este impasse recorda confrontos tarifários anteriores, onde ambos os governos se acusaram mutuamente de distorcer o comércio global através de controlos à exportação de tecnologias e matérias-primas estratégicas. Embora nem o Global Times nem o China Daily tenham mencionado diretamente Bessent, os editoriais reiteram a mensagem habitual das autoridades chinesas, defendendo a necessidade de igualdade e respeito mútuo nas negociações bilaterais.

Leia também: A evolução das tarifas comerciais entre EUA e China.

tarifas comerciais tarifas comerciais tarifas comerciais Nota: análise relacionada com tarifas comerciais.

Leia também: Tarifa de 100% dos EUA sobre filmes estrangeiros gera polémica

Fonte: Sapo

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top