Faturação internacional: desafios e boas práticas para PME

A globalização transformou a forma como as empresas operam, tornando a internacionalização uma realidade não apenas para grandes corporações, mas também para pequenas e médias empresas (PME). A faturação internacional é um dos aspectos mais críticos deste processo, pois envolve não apenas a emissão de faturas, mas também um profundo entendimento das obrigações fiscais e legais de cada mercado.

Para as PME que desejam expandir as suas operações para o estrangeiro, é fundamental conhecer as boas práticas e os requisitos legais associados à faturação internacional. Um erro comum é assumir que as regras aplicáveis em Portugal se aplicam igualmente em outros países. Na verdade, cada nação tem a sua própria legislação fiscal, o que pode incluir diferenças na estrutura da fatura, na numeração e até nas exigências de armazenamento.

Um dos principais desafios da faturação internacional é a tributação. Dentro da União Europeia, as regras de IVA são parcialmente harmonizadas, mas existem nuances que não podem ser ignoradas. Por exemplo, as vendas de bens a empresas de outros Estados-membros com número de IVA válido são, em regra, isentas de IVA em Portugal, enquanto a prestação de serviços pode ter regras diferentes. Para transações fora da UE, a maioria dos países prevê isenção de IVA, desde que sejam apresentadas provas documentais adequadas.

Outro aspeto a considerar na faturação internacional é o idioma e a moeda. Embora o português seja aceito em Portugal, muitos clientes preferem faturas no idioma oficial do seu país ou em inglês. Além disso, a fatura deve ser emitida na moeda acordada entre as partes, mas a contabilidade portuguesa exige a conversão para euros, utilizando a taxa de câmbio oficial. As variações cambiais podem impactar a rentabilidade, por isso é aconselhável definir nos contratos quem assume essas variações.

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As obrigações aduaneiras também desempenham um papel importante na faturação internacional. Para operações com países fora da UE, as faturas devem ser acompanhadas de documentação específica, como a declaração aduaneira de exportação e certificados de origem. A falta destes documentos pode atrasar a entrada da mercadoria e gerar custos adicionais.

Além disso, a digitalização está a transformar a faturação internacional. Muitos países já implementaram sistemas de faturação eletrónica obrigatória, e as empresas devem garantir que o seu software de faturação é compatível com as exigências de cada mercado. Em Portugal, o uso de programas certificados pela Autoridade Tributária é obrigatório, mas pode ser necessário integrar funcionalidades adicionais para mercados externos.

Para mitigar os riscos associados à faturação internacional, as PME devem adotar boas práticas, como a utilização de contratos claros, a verificação da reputação dos clientes e a implementação de soluções tecnológicas seguras. A formação da equipa administrativa e a monitorização contínua das alterações fiscais e legais são igualmente essenciais.

A faturação internacional é um processo complexo que exige planeamento e conhecimento aprofundado das regras de cada mercado. As PME que investirem em tecnologia, formação e consultoria especializada estarão melhor preparadas para enfrentar os desafios da internacionalização e garantir a sua competitividade no mercado global.

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Fonte: Doutor Finanças

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