A crise nos bancos regionais dos EUA está a provocar um impacto significativo nos mercados financeiros globais. O receio em torno da qualidade do crédito destas instituições espalhou-se rapidamente, levando a perdas acentuadas no setor bancário e reavivando memórias da crise de confiança que afetou o sistema financeiro há pouco mais de dois anos, após a falência do Silicon Valley Bank.
Na Europa, o índice Stoxx 600 registou uma queda de 1,9% durante a manhã, com o setor financeiro a sofrer um recuo superior a 3,3%. Em Portugal, o BCP viu as suas ações desvalorizarem 3,26%, transacionando a 73,68 cêntimos. Os principais bancos europeus também foram severamente penalizados, com quedas de 7,4% no Deutsche Bank, 6,8% no Barclays e 5,9% no Société Générale.
O pânico que contagiou o mercado europeu teve origem nos Estados Unidos, onde o índice KBW Regional Banking caiu 6,3% na quinta-feira, a maior descida diária em seis meses. O Zions Bancorp e o Western Alliance Bancorp foram os principais responsáveis por esta turbulência, com o primeiro a anunciar uma imparidade de 50 milhões de dólares relacionada com empréstimos na Califórnia, e o segundo a mover uma ação judicial contra um cliente por alegações de fraude.
Embora estas perdas possam parecer isoladas, o contexto em que surgiram amplificou o seu impacto. Apenas dias antes, duas empresas do setor automóvel nos EUA, a First Brands Group e a Tricolor Holdings, tinham declarado falência, levantando questões sobre os padrões de concessão de crédito num mercado de empréstimos alavancados que já ultrapassa os 2 biliões de dólares.
A First Brands, que cresceu rapidamente através de aquisições, viu os seus empréstimos a serem transacionados a cêntimos por dólar, resultando em perdas implícitas superiores a 4 mil milhões de dólares. A Tricolor, por sua vez, operava como credor subprime, alegadamente utilizando as mesmas carteiras de empréstimos como garantia para diferentes linhas de crédito, sem que os bancos envolvidos soubessem.
Apesar do susto inicial, o sentimento nos mercados começou a melhorar ao longo do dia. O índice Stoxx 600 Europe conseguiu reduzir substancialmente as suas perdas, enquanto o BCP, após a queda de 3,26%, viu as suas ações a transacionarem com uma perda de 1,8%, aproximando-se da barreira dos 75 cêntimos.
Alguns especialistas acreditam que as preocupações em torno dos bancos regionais dos EUA não são indicativas de um problema sistémico. Nick Brind, gestor de fundos da Polar Capital Global Financials Trust, afirmou que as perdas são idiossincráticas e que os credores terão de ser mais cautelosos, mas não há evidências de uma crise mais ampla. Jon Arfstrom, analista da RBC Capital Markets, acrescentou que os bancos regionais estão bem preparados para potenciais perdas e aumentaram os seus níveis de capital desde 2023.
À medida que os investidores recuperam o apetite pelo risco, o acompanhamento da situação nos bancos regionais dos EUA e nas carteiras de crédito continuará a ser uma prioridade nas próximas sessões. Leia também: O impacto das falências no setor automóvel nos mercados financeiros.
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Fonte: ECO





