O presidente do Banco Sabadell, Josep Oliu, revelou que o Governo espanhol manifestou interesse em que a oferta pública de aquisição (OPA) hostil do BBVA não tivesse sucesso. Em entrevista ao jornal La Vanguardia, Oliu afirmou que a única solicitação feita pelo Governo foi que fizessem “milagres” para evitar que a OPA avançasse. “Já o fizemos”, acrescentou, evidenciando a pressão que o banco sentiu para resistir à proposta do BBVA.
César González-Bueno, diretor executivo do Sabadell, também comentou a situação, afirmando que não há risco de uma nova OPA hostil por parte dos grandes bancos espanhóis. Segundo ele, a única possibilidade de movimentação no mercado seria uma “aliança” ou um “acordo”, mas não uma OPA hostil. “Não podem oferecer um prémio por sinergias, então não podem oferecer mais do que o mercado já oferece”, sublinhou.
Em relação a futuras estratégias para proteger o banco de novas tentativas de OPA, Oliu afirmou que o Sabadell continuará a procurar alianças que façam sentido. O banco já possui colaborações com a Amundi e a Zurich, e Oliu não descartou a possibilidade de que um investidor entre no capital do banco para fortalecer essas parcerias. Contudo, ele ressalvou que, neste momento, não há planos concretos para novas alianças.
Ambos os executivos expressaram a intenção de manter a independência do Sabadell. Oliu utilizou uma metáfora para ilustrar a situação: “Não vamos bater à porta de ninguém no dia seguinte porque vou ficar sem namorada. Não, não, não. A namorada não era querida.” Esta afirmação reflete a confiança do banco em sua posição no mercado, especialmente após o fracasso da OPA do BBVA.
O CEO do Sabadell acredita que a instituição saiu fortalecida da OPA hostil e que o foco agora está na conclusão da operação do TSB com o Santander, um negócio que, segundo ele, foi realizado por um valor significativamente superior ao de compra. González-Bueno também destacou a robustez dos resultados do Sabadell, que cresceu 8% no mercado espanhol em termos homólogos.
Na semana passada, o BBVA não conseguiu concretizar a sua OPA sobre o Sabadell, não alcançando sequer 26% do capital da instituição. A proposta foi aceite por acionistas que detinham apenas 25,47% dos direitos de voto, abaixo do limiar de 30% necessário para avançar com a aquisição. O regulador do mercado espanhol, CNMV, confirmou que a oferta pública teve um resultado negativo, não atingindo o limite mínimo.
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Fonte: ECO





