Sanae Takaichi é a primeira mulher a liderar o Japão

Sanae Takaichi foi nomeada hoje como a primeira-ministra do Japão, fazendo história ao tornar-se a primeira mulher a ocupar este cargo no país. A sua nomeação ocorreu após uma coligação parlamentar formada na véspera, resultado de negociações intensas. A Câmara Baixa do Parlamento japonês aprovou Takaichi, de 64 anos, logo na primeira votação, e a oficialização do seu cargo será feita numa audiência com o imperador Naruhito ainda hoje.

Takaichi, a quinta líder do Japão nos últimos cinco anos, enfrenta uma situação política complexa e uma agenda internacional carregada. O seu primeiro grande desafio será a visita do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está agendada para a próxima semana. A nova primeira-ministra já havia conquistado, no início de outubro, a presidência do Partido Liberal Democrático (PLD), que tem estado no poder desde 1955, mas que recentemente perdeu a maioria nas duas câmaras do Parlamento devido a escândalos financeiros.

A coligação que sustentava o PLD, formada com o partido centrista Komeito, foi desfeita devido a descontentamentos com os escândalos e as opiniões conservadoras de Takaichi. Para garantir a sua eleição como chefe do Governo, Takaichi formou uma aliança com o Partido Japonês para a Inovação (Ishin), uma formação reformista de centro-direita.

A nova líder do Governo, admiradora da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, prometeu um Executivo com um número de mulheres “à escandinava”, em contraste com a equipa do seu antecessor, que contava apenas com duas. Entre as nomeações esperadas, destaca-se Satsuki Katayama, ex-ministra da Revitalização Regional, que deverá assumir o cargo de ministra das Finanças.

O Japão ocupa a 118.ª posição entre 148 países no relatório de 2025 do Fórum Económico Mundial sobre a disparidade entre os sexos, refletindo a baixa representação feminina na política, onde apenas 15% dos membros da Câmara Baixa são mulheres. Takaichi pretende abordar as questões de saúde das mulheres e não hesita em discutir abertamente os desafios relacionados com a menopausa.

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Contudo, as suas posições sobre a igualdade de género são consideradas conservadoras, uma vez que se opõe à revisão de uma lei que exige que os casais partilhem o mesmo apelido e apoia uma sucessão imperial restrita aos homens. Além disso, terá de enfrentar o desafio do declínio demográfico do Japão e a recuperação da quarta maior economia do mundo.

A coligação com o Ishin conta com 231 assentos no Parlamento, abaixo dos 233 necessários para a maioria absoluta, o que exigirá negociações com outros partidos para garantir a governabilidade. Takaichi já manifestou a sua intenção de aumentar a despesa pública para estimular a economia, seguindo o exemplo do seu mentor, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe. A sua vitória levou a Bolsa de Tóquio a atingir níveis recordes, com as empresas a apostarem numa nova fase de redução de impostos.

No plano externo, Takaichi moderou o seu discurso sobre a China e, na semana passada, optou por não visitar o santuário Yasukuni, um símbolo do passado militarista do Japão. Internamente, a primeira mulher a liderar o PLD e, por conseguinte, a chefia do Governo nipónico, tem como principal desafio recuperar a popularidade do seu partido após uma série de derrotas eleitorais, que permitiram a ascensão do Sanseito, um partido populista que considera a imigração uma “invasão silenciosa”.

Leia também: O impacto das novas lideranças na economia japonesa.

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Fonte: Sapo

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