Empresas portuguesas mantêm compromisso com diversidade e inclusão

Desde o regresso de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, o ambiente tem sido desfavorável às políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Algumas empresas portuguesas que colaboram com o governo norte-americano até receberam comunicações da embaixada a alertar para este clima. No entanto, Filipa Pantaleão, secretária-geral do BCSD Portugal, e Cláudia Carocha, diretora de projetos e inovação da mesma associação, afirmam que as empresas em Portugal não recuaram e continuam a apostar na criação de um mercado mais inclusivo.

Em entrevista, as responsáveis referem que, embora as empresas tenham promovido várias atividades para abordar questões de DEI, ainda falta uma “estratégia concertada” que una esses esforços. Para isso, o BCSD lançou recentemente um pacto, aberto a membros e não membros, que visa apoiar os empregadores na implementação de compromissos concretos e práticas eficazes de diversidade e inclusão.

Cláudia Carocha destaca que um estudo realizado em 2023, em parceria com a EY, revelou que apenas um terço dos cargos executivos é ocupado por mulheres, evidenciando a falta de paridade de género. Apesar do progresso, a remuneração entre os géneros ainda não é equitativa. As empresas têm realizado ações isoladas, mas Carocha sublinha a necessidade de uma abordagem mais sistemática, com metas claras e monitorização dos resultados.

Filipa Pantaleão acrescenta que o “Barómetro do equilíbrio de mulheres e homens nos órgãos de gestão das empresas”, lançado pelo Observatório de Género, Trabalho e Poder do ISEG, mostrou que a presença feminina nas administrações das empresas cotadas subiu de 18% em 2018 para 34% em 2024. Embora haja avanços, o ritmo não é suficientemente rápido, e as empresas ainda não estão a desenvolver uma estratégia global para a DEI.

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As responsáveis do BCSD Portugal afirmam que, apesar do clima anti-DEI nos EUA, as empresas portuguesas não estão a recuar. Pelo contrário, reconhecem a importância da diversidade e inclusão como fatores estratégicos para a produtividade. Até ao momento, não se sentiu um afastamento das empresas em relação a estas questões.

O pacto lançado pelo BCSD visa proporcionar uma abordagem estruturada e orientada para a ação em temas de diversidade e inclusão. As empresas terão acesso a mentoria e exemplos práticos, ajudando-as a identificar a sua maturidade em relação a estas questões. O objetivo é que, em 2028, as empresas assumam metas concretas e realistas.

A ferramenta de autodiagnóstico, que avalia cinco dimensões da DEI, é um dos principais recursos do pacto. As empresas que utilizarem esta ferramenta poderão identificar o seu nível de maturidade e receber orientações sobre como avançar. A mentoria especializada será fornecida pela equipa do BCSD e por uma consultora especializada na área.

Por fim, Filipa Pantaleão e Cláudia Carocha destacam a importância do networking e da partilha de experiências entre empresas. A colaboração entre grandes e pequenas empresas pode facilitar a troca de conhecimentos e impulsionar a implementação de práticas de diversidade e inclusão em todo o tecido empresarial.

Leia também: O impacto da diversidade nas empresas portuguesas.

diversidade e inclusão Nota: análise relacionada com diversidade e inclusão.

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Fonte: ECO

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