Crédito à habitação cresce 8,9%, o maior aumento desde 2008

O mercado de crédito à habitação em Portugal está a viver um momento histórico, com um crescimento de 8,9% em setembro em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Este aumento marca o 21.º mês consecutivo de aceleração, atingindo o maior ritmo de expansão desde a crise financeira de 2008. Os dados, divulgados pelo Banco de Portugal, revelam que o stock de empréstimos para habitação subiu 986 milhões de euros em relação a agosto, totalizando 108,1 mil milhões de euros no final de setembro. Este valor representa um novo máximo em mais de 17 anos, evidenciando a confiança das famílias em contrair dívidas de longo prazo, impulsionada pela descida das taxas de juro e por apoios públicos destinados a jovens compradores.

A explicação para este fenómeno é multifacetada. A taxa Euribor, que havia atingido valores próximos dos 4,5% no início de 2024, começou a descer, aliviando assim as prestações mensais dos portugueses. O Banco Central Europeu (BCE) também contribuiu para esta situação, ao promover cortes significativos na taxa de depósitos, que passou de 4% para 2% entre junho do ano passado e junho deste ano. Embora o BCE tenha interrompido o ciclo de descidas em julho, a Euribor estabilizou em torno dos 2%, criando um ambiente mais previsível para quem procura financiamento.

Além disso, as medidas governamentais de apoio aos jovens até aos 35 anos têm sido cruciais para esta expansão do crédito à habitação. A garantia pública, que assegura até 15% do valor da transação em imóveis até 450 mil euros, eliminou a necessidade de entrada inicial para muitos compradores. Combinada com a isenção do Imposto Municipal sobre Transações (IMT) e do imposto de selo na compra da primeira habitação, esta política gerou um impulso significativo na procura, especialmente entre os jovens. Dados do Banco de Portugal indicam que, até agosto, os jovens representavam 59% do montante de novos contratos de crédito à habitação, um aumento notável em relação aos 53% do ano anterior.

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O impacto deste crescimento no crédito à habitação estende-se também a outros tipos de empréstimos. O montante total de empréstimos a particulares cresceu 8,6% em setembro face ao mesmo mês do ano anterior, abrangendo o crédito ao consumo e outros fins. O Banco de Portugal reportou que o montante de empréstimos ao consumo e a outros fins aumentou 229 milhões de euros em relação a agosto, totalizando 33,2 mil milhões de euros.

Esta dinâmica indica que as famílias estão a aumentar o seu nível de endividamento a um ritmo que não se via há quase duas décadas, aproximando-se dos níveis de 2011, embora ainda longe do pico desse ano. No final de setembro, o montante total de crédito pessoal ascendeu a 13,2 mil milhões de euros, com um crescimento de 7,1% em relação ao ano anterior. O crédito automóvel também registou um aumento, atingindo 8,9 mil milhões de euros, com uma taxa de variação anual de 9,7%.

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crédito à habitação Nota: análise relacionada com crédito à habitação.

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Fonte: ECO

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