S&P mantém rating da TAP, mas alerta para incertezas na privatização

A agência de notação financeira S&P manteve o rating da TAP em “BB-/estável”, mas emitiu um alerta sobre a descida prevista dos lucros operacionais em 2025 e as incertezas associadas ao processo de privatização da companhia aérea portuguesa.

Na sua mais recente análise, a S&P prevê que o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) da TAP caia para entre 680 e 700 milhões de euros este ano, uma descida significativa em relação aos 852 milhões de euros registados em 2024. Este recuo é atribuído à pressão sobre as tarifas aéreas e ao impacto da greve de 20 dias dos pilotos da Portugália, a subsidiária regional do grupo.

A S&P aponta que a concorrência intensificada, especialmente nas rotas transatlânticas, tem comprimido o preço médio dos bilhetes, o que contribui para a quebra dos lucros operacionais. Para 2025, a agência estima receitas entre 4.250 e 4.350 milhões de euros, com uma margem EBITDA de 16% a 17%, abaixo dos 20% do ano anterior.

Apesar deste abrandamento, a S&P acredita que a TAP deverá manter rácios financeiros compatíveis com o atual nível de crédito, prevendo um rácio de dívida sobre EBITDA entre 4,0 e 4,5 vezes. A companhia deverá transportar até 17 milhões de passageiros em 2025, um aumento de 900 mil em relação ao ano anterior, impulsionada pela expansão da rede e pela abertura de novas rotas fora de Lisboa. O fator de ocupação médio subiu para 85% no segundo trimestre, comparado com 82,7% no mesmo período de 2024.

Um dos principais pontos de atenção no relatório da S&P é o processo de privatização da TAP. A agência alerta que esta situação poderá alterar a perceção de apoio financeiro por parte do Estado português, um elemento crucial na avaliação do risco de crédito da transportadora. A manutenção da perspetiva estável do rating depende da hipótese de que a privatização não altere a avaliação da probabilidade de apoio financeiro extraordinário do Governo.

Leia também  Aumento das pensões antecipadas e dúvidas sobre excedente orçamental

Embora a venda não implique automaticamente uma alteração do rating, a S&P adverte que qualquer sinal de enfraquecimento do apoio público ou uma descida da notação soberana de Portugal abaixo de “BBB-” poderia resultar numa reavaliação negativa da TAP. Entre os cenários de risco, a S&P admite um downgrade se o rácio entre fundos gerados e dívida descer abaixo de 12% e se mantiver essa tendência por um período prolongado. Por outro lado, uma melhoria sustentada dos resultados poderia justificar uma revisão em alta do rating.

A liquidez da TAP é classificada como “adequada”, com fontes de financiamento que cobrem três vezes as necessidades até meados de 2026, incluindo 1.167 milhões de euros em caixa. Contudo, a S&P destaca que os fatores ambientais e sociais continuam a pesar negativamente na avaliação da companhia, devido às crescentes exigências da União Europeia em matéria de redução de emissões.

O caderno de encargos da privatização prevê a venda de uma participação de até 44,9%, com 5% do capital reservado aos trabalhadores. Os candidatos têm até 22 de novembro para enviar a sua declaração de interesse à Parpública, gestora das participações estatais. O Governo espera que o processo seja concluído num ano, dependendo das autorizações de Bruxelas. Até agora, companhias como Air France-KLM, IAG e Lufthansa manifestaram interesse, embora o processo também esteja aberto a investidores fora da Europa.

Leia também: O impacto da privatização na aviação portuguesa.

rating TAP rating TAP rating TAP rating TAP rating TAP Nota: análise relacionada com rating TAP.

Leia também: Carga fiscal sobre combustíveis em Portugal é superior à média da UE

Fonte: Sapo

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top