Revolução das refeições prontas a comer em Portugal

A demanda por refeições prontas a comer está a revolucionar o mercado alimentar em Portugal. Bernardo D’Orey, um ex-jornalista financeiro, deixou a sua carreira em Londres para se aventurar no mundo da gastronomia, adquirindo o “Coma ou Leve”, um take-away com lojas em Alvalade e Campo de Ourique. Este negócio, fundado em 1976, oferece pratos tradicionais como bife Wellington e feijoada, e tem atraído uma clientela que valoriza a conveniência sem abrir mão do sabor.

Bernardo, de 51 anos, explica que a sua decisão de investir neste setor surgiu de uma paixão pela culinária e da percepção de que o mercado de refeições prontas a comer estava em crescimento. “Os nossos clientes têm entre 35 e 50 anos e levam vidas muito ativas. A partir de quinta-feira, as encomendas aumentam em 50%”, revela.

Estudos recentes indicam que dois terços das refeições consumidas em Portugal são de confeção não doméstica. Daniel Serra, presidente da ProVar, Associação Nacional de Restaurantes, destaca que muitos consumidores estão a trocar as refeições em restaurantes por opções take-away, preferindo comer em casa. “Os hábitos dos consumidores estão a mudar, e essa tendência é visível na crescente procura por refeições prontas a comer”, afirma.

Constança e João Travassos, proprietários da empresa familiar “Dez Prá Uma”, também notam esta mudança. A empresa, que começou como um restaurante, adaptou-se ao novo modelo de negócio focado em refeições prontas a comer. Com 11 lojas na área de Lisboa e Setúbal, eles afirmam que as plataformas de entrega têm contribuído para o crescimento deste segmento.

O mercado de delivery food em Portugal gerou cerca de 1,5 mil milhões de euros em 2022, um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Atualmente, existem cerca de 50 mil estafetas a trabalhar para plataformas como a Uber Eats e a Bolt Food. Francisco Fonseca da Silva, CEO da Food4Kings, explica que a pandemia acelerou a adoção de serviços de entrega, que se tornaram essenciais para muitos restaurantes. “Acreditamos que este segmento se estabilizará em torno de um terço das vendas nos próximos anos”, afirma.

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Marcas de distribuição, como o Pingo Doce e o Continente, também estão a investir em refeições prontas a comer, oferecendo opções desenvolvidas por chefs e nutricionistas. A Mercadona, por sua vez, acredita que a tendência de comida pronta está a transformar os hábitos de consumo. O CEO Juan Roig afirma que, no futuro, as cozinhas nas casas poderão ser uma raridade.

Apesar das inovações, a arquiteta Elsa Matias defende que a cozinha continuará a ser uma parte fundamental das casas portuguesas. “A tradição gastronómica é importante e os meus clientes, tanto portugueses como estrangeiros, valorizam a cozinha”, diz. Assim, o futuro poderá não ser o desaparecimento da cozinha, mas sim a sua reinvenção, equilibrando a tradição com a modernidade.

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Fonte: Sapo

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