Governo responsabilizado pela lentidão nos tribunais administrativos

O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) responsabilizou o Governo e os seus antecessores pela lentidão processual que afeta a jurisdição administrativa e fiscal em Portugal. Esta crítica surge após o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, ter classificado a situação como uma “vergonha nacional”, apontando que os tempos de decisão são dos mais lentos da Europa.

No comunicado divulgado esta segunda-feira, o CSTAF sublinha que a verdadeira vergonha não reside nos tribunais, que operam com recursos limitados, mas sim na falta persistente de meios atribuídos a estas instituições. A juíza desembargadora e secretária do CSTAF, Eliana de Almeida Pinto, destacou que a ausência de investimento por parte de sucessivos Governos é a causa da atual situação.

Eliana Pinto questionou a lógica por trás da expectativa de que os juízes da jurisdição administrativa e fiscal consigam resultados satisfatórios, quando, por exemplo, o Tribunal da Relação de Évora, o menor do país, possui um número de juízes superior ao do Tribunal Central Administrativo do Sul, que tem um volume de processos muito maior. “Que milagre espera o senhor Ministro que os juízes da jurisdição administrativa e fiscal alcancem?”, indagou a desembargadora.

Os dados apresentados pelo CSTAF revelam que, na segunda instância, o número de juízes desembargadores previstos é de três a quatro vezes inferior ao das Relações, o que levanta questões sobre a capacidade de resposta do sistema. “Pretende-se exigir o mesmo nível de resposta com um exército reduzido a um pelotão”, criticou Eliana Pinto, enfatizando que a matemática não mente e que as prioridades orçamentais são evidentes.

Além disso, a juíza apontou que os tribunais administrativos e fiscais recebem dez vezes mais processos tributários do que o Centro de Arbitragem Administrativa (CAAD), que, curiosamente, possui mais árbitros do que os tribunais têm juízes tributários. Em termos de produtividade, os tribunais centrais administrativos apresentam taxas de resolução superiores a 100%, com o tribunal do norte a destacar-se com um quadro de desembargadores reduzido.

Leia também  Fabricante de equipamentos de chips transforma investimento em lucros

Os dados mais recentes, divulgados na newsletter do CSTAF, indicam que as taxas de resolução nos tribunais tributários superam os 200%, com vários tribunais administrativos e fiscais a ultrapassarem os 100%, o que demonstra uma capacidade de concluir mais processos do que aqueles que entram, ajudando a reduzir as pendências.

O CSTAF recorda que há nove meses apresentou propostas ao Ministério da Justiça para o reforço de magistrados, simplificação processual e modernização, mas estas ficaram sem resposta. Eliana Pinto lamentou que a culpa esteja a ser atribuída aos tribunais, quando a verdadeira responsabilidade reside nas escolhas políticas que, ao longo das décadas, têm comprometido a justiça administrativa e fiscal.

“A Justiça não se faz a pão e água; faz-se com responsabilidade, investimento e compromisso institucional”, conclui o comunicado. A situação agravou-se nas últimas semanas devido à migração do sistema informático, levando o CSTAF a solicitar uma reunião urgente com o Ministério da Justiça para discutir medidas imediatas de resolução.

O Partido Socialista anunciou que este será um dos temas a ser abordado na audição da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, durante a discussão do Orçamento do Estado para 2026, marcada para a tarde de terça-feira.

Leia também: A importância do investimento na justiça em Portugal.

lentidão processual lentidão processual lentidão processual lentidão processual Nota: análise relacionada com lentidão processual.

Leia também: Arbitragem tributária: Brasil inspira-se em modelo português

Fonte: Sapo

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top