A administração de Donald Trump, que começou em janeiro de 2025, está a provocar uma mudança significativa nas instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. A ideia de uma “trumpização” destas entidades foi abordada pelo jornal francês Le Monde, que destaca o abandono de questões climáticas e sociais em favor de interesses mais alinhados com a agenda do ex-presidente.
Durante a sua campanha eleitoral, Trump ameaçou retirar os Estados Unidos do FMI e do Banco Mundial, instituições criadas em Bretton Woods em 1944. Estas ameaças, no entanto, parecem agora ser uma estratégia para impor as suas orientações financeiras, especialmente após a nomeação de Dan Katz para um cargo de destaque no FMI. Katz, que já foi chefe de gabinete do Departamento do Tesouro dos EUA, é visto como um aliado de Trump e pode facilitar a implementação de políticas que favorecem investimentos em combustíveis fósseis.
O think-tank Bruegel, com sede em Bruxelas, já alertou para o impacto negativo que a administração Trump teve no sistema multilateral de comércio. As tarifas unilaterais impostas por Trump sobre as importações e a sua abordagem agressiva nas negociações comerciais fragilizaram a Organização Mundial do Comércio (OMC). A pergunta que se coloca agora é se o FMI e o Banco Mundial poderão sobreviver a uma reconfiguração que prioriza interesses unilaterais em detrimento da cooperação internacional.
A visão de Trump parece ser a de que a legalidade deve ceder à conveniência política, o que levanta preocupações sobre a credibilidade das instituições internacionais. Embora estas tenham sido criadas para regular a economia global, a administração atual parece estar a desviar-se desse propósito, focando-se em interesses que favorecem os Estados Unidos em detrimento de uma abordagem mais equitativa.
Além disso, a recente cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) destaca a crescente insatisfação dos países do Sul Global com a governança mundial. O presidente chinês, Xi Jinping, sublinhou a necessidade de uma reconfiguração do sistema internacional, enfatizando a igualdade de soberania e a multilateralidade. Esta nova dinâmica pode desafiar a hegemonia dos EUA e abrir espaço para uma nova ordem económica global.
Portanto, a administração Trump, ao tentar moldar o FMI e o Banco Mundial à sua imagem, pode estar a criar uma série de incertezas que não só descredibilizam os Estados Unidos, mas também fortalecem as vozes do Sul Global que clamam por uma governança mais justa e equilibrada. A situação atual exige uma reflexão sobre o papel das instituições financeiras internacionais e a sua capacidade de se adaptarem a um mundo em rápida mudança.
Leia também: A nova ordem económica global e o papel do Sul.
FMI e Banco Mundial FMI e Banco Mundial FMI e Banco Mundial FMI e Banco Mundial FMI e Banco Mundial Nota: análise relacionada com FMI e Banco Mundial.
Leia também: A economia do cansaço e o impacto na sociedade moderna
Fonte: Sapo





