O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo criticou o atual modelo de gestão e pagamento de médicos tarefeiros no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Durante a 10.ª edição da Fábrica 2030, uma conferência organizada pelo ECO na Fundação de Serralves, no Porto, Gouveia e Melo afirmou que “não faz sentido estar a pagar três vezes mais a um tarefeiro que não tem responsabilidade nenhuma”. O almirante na reserva sublinhou que estes profissionais, ao final do seu período, vão embora e não demonstram empatia com os doentes ou com o hospital, limitando-se a realizar o seu trabalho técnico. Em contrapartida, os médicos que estão efetivamente a trabalhar no SNS recebem menos, apesar de terem responsabilidades maiores.
Gouveia e Melo defendeu que a prioridade na saúde deve ser a definição do futuro do SNS. Questionou se devemos optar por um modelo complementar ou se devemos acabar com o SNS em favor da medicina privada. O candidato enfatizou a importância de garantir acesso à saúde para os mais desfavorecidos, uma preocupação que considera fundamental.
Relativamente à proposta de alteração à lei laboral, Gouveia e Melo advogou por uma flexibilização das regras de trabalho que evitem a precariedade, de forma a preservar a coesão social. “A economia está a mudar e precisa de flexibilidade”, afirmou, destacando a necessidade de um equilíbrio entre um “motor económico livre” e um “capitalismo humano”.
O almirante também abordou a questão da organização no país, afirmando que “o que está mal é a organização”. Segundo ele, a falta de uma cultura de mérito no setor público, onde todos os funcionários ganham o mesmo independentemente do seu esforço, não incentiva a produtividade. Gouveia e Melo não se opõe à presença de funcionários públicos, mas acredita que não devem abusar do Estado.
Questionado sobre se o Parlamento está a governar apenas para as televisões, Gouveia e Melo respondeu que, de certa forma, sim. Ele criticou a recente proibição do uso de burca ou niqab em espaços públicos, aprovada pela Assembleia da República, considerando que existem questões mais importantes a serem discutidas neste momento.
Ao sair da conferência, Gouveia e Melo reagiu a comentários do ex-primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva, que o descreveu como um mau candidato a Presidente. O candidato interpretou as palavras de Cavaco Silva como um elogio, afirmando que o ex-Chefe de Estado reconheceu que ele representa um “grande perigo” na corrida presidencial para o protegido deste, Marques Mendes.
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Fonte: ECO





